Estudo sobre o livro de Êxodo

003 – Êxodo – Um povo dentro da Lei

Publicado em Introdução ao Antigo Testamento no dia 2 de março de 2012

Êxodo

Introdução ao livro do Êxodo – Um povo dentro da lei

O nome do livro vem do Grego Exodos, que significa saída, pois o tema principal do livro é a saída do povo de Israel do Egito. O nome em hebraico significa “Estes são os nomes”, pois o mundo antigo nomeava seus escritos com as primeiras palavras do livro.

O livro do Êxodo continua a narrativa do povo hebreu no Egito, onde ficaram os descendentes de Jacó durante a fome na Palestina. O livro conta o processo de formação da nação de Israel, ou seja, de uma família ao nascimento do povo de Israel por meio da aliança no Monte Sinai, de acordo com a narrativa dos capítulos 19 a 24.

A aliança é o eixo do livro, que mostra o ato redentor de Javé para com o povo que havia escolhido. A saída do povo de Israel no Egito mostra a fidelidade de Javé para com sua própria palavra, e é o ponto máximo da redenção no Antigo Testamento juntamente com o pacto estabelecido no Monte Sinai.

Estrutura do livro

Baseado na geografia o livro do Êxodo pode ser dividido em três partes:

1. Israel no Egito: 1:1 – 13:16

2. Jornada de Israel no deserto: 13:18 – 18:27

3. Israel no Sinai: 19:1 – 40:38

O livro do Êxodo liga Gênesis, que nos conta a razão da Aliança, com Levítico, o livro das leis da Aliança para o povo eleito. A repetição dos nomes dos integrantes da familia de Jacó no capítulo 1 faz a ponte entre os relatos do livro com Gênesis, assim como o final do livro descreve a glória de Javé enchendo o tabernáculo (40:34-38) associando a saída do povo de Israel do Sinai liderado pela nuvem (Nm. 10:11-35).

A primeira parte narra o livramento do povo da escravidão no Egito por intermédio de Moisés, que teve como porta voz seu irmão Arão. Moisés é incumbido e equipado para realizar esta tarefa, por meio de sinais miraculosos. Este trecho também destaca a paciência de Javé com o povo e a obediência devida às suas ordens. Esta libertação foi realizada com o envio de 10 sinais tanto para os egípcios como os hebreus e terminou com a instituição da páscoa como memorial para as futuras gerações.

A segunda parte explica como Javé converteu ex-escravos em seu povo particular (19:1-6). Para isso ele estabeleceu sua aliança, um tratado com este povo, de acordo com o antigo modelo do povo hitita conforme abaixo:

Prefácio

20:2a

Prólogo histórico

20:2b

Condições:

20:3-17(10 mandamentos) e 20:21 – 23:19

Leitura pública

24:7

Lista de testemunhas:

24:1-11

Bênçãos e maldições

23:20-33

A terceira parte esclarece os detalhes do tabernáculo e como Javé estabeleceu sua presença entre o povo por meio deste tabernáculo. O trecho também determina a ordenação do sacerdócio de Arão e seus descendentes, que explica a inclusão na genealogia do capítulo 6, legitimando o sacerdócio. A idolatria e a rebelião de Israel são julgados por Javé (32: 1:10), que tem sua ira retira pela intercessão de Moisés. Neste episódio a misericórdia de Javé é demonstrada, o que tornou a renovação da aliança possível (32:11 – 34:17). Este será o comportamento padrão do povo durante todo o Antigo Testamento.

Propósito e conteúdo

O livro do êxodo é permeado pelos seguintes temas principais:

  • A soberania de Javé sobre as divindades pagãs
  • A lei como padrão religioso e social para Israel
  • O Êxodo como evento significativo da Redenção de Israel no Antigo Testamento
  • A presença de Deus simbolizada pelo tabernáculo

A mensagem do livro ainda inclui o julgamento do opressor de Israel, o Egito, o livramento da escravidão pelo poder miraculoso de Javé, o estabelecimento de Israel como nação sacerdotal para os os outros povos.

Propósitos do livro do êxodo:

Histórico

Preservação do registro histórico do povo de Israel, seu livramento e presença no deserto. (6:4)

Teológico

Auto revelação divina. Deus, além de lembrar-se das promessas feitas aos patriarcas, agora revela-se aos seus descendentes (6:2-3)

Didático

Importância do relacionamento de aliança com Javé e a importância da lei como instrumento desta aliança para moldar a identidade de Israel como povo escolhido (23:20-23)

Javé

O livro de êxodo mostra como Javé se auto-revelou ao povo escolhido de forma progressiva. O nome é geralmente traduzido por “EU SOU”, mas tem implicações muito mais profundas, pois este nome carrega o radical do verbo hebraico ser e pode apontar para a eternidade e auto existência de Deus. Além do seu próprio nome Javé se revelou por outros meios, chamados de teofanias, tais como: o Anjo do Senhor (Ex. 3:2; 14:19), Milagres (Ex. 8:16-19), a sarça ardente (3:2), Sinais da natureza (19:18-20), voz (24:1), nuvem da glória (16:10), coluna de fogo (40:34-38), face a face com Moisés (33:11).

Estas manifestações eram acompanhadas do conteúdo que revelavam a própria essência e caráter de Javé: se lembrava das obrigações da aliança (19:10-15; 25:1-9), Juiz e Salvador (12:27), governa as nações em benefício do povo eleito (15:4-6), santo, mais poderoso que os deuses das nações vizinhas (15:11; 18:10-12), gracioso e misericordioso (32:11-14).

Os dez sinais

O texto dos dez sinais apresenta, na verdade, a luta cósmica entre Javé e os deuses egípcios, por isso o livro menciona que Javé havia colocado Moisés por “deus” para os egípcios, pois este era tido como uma divindade (Ex. 7:1). O texto, além de sinais, traz também a palavra maravilhas, que pode significar tanto a idéia de milagre como a intensificação dos fenômenos naturais.

Esta série de sinais também serviu para evidenciar a predisposição de faraó em não crer em Javé (Ex. 3:19-20), agravado ainda mais pelo endurecimento de seu coração por Deus (Ex. 9:8-12). Após o sexto sinal, aparentemente ele não tinha mais a opção de se arrepender para obedecer à ordem de Javé. É possível que isto seja semelhante ao pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo (Mc. 3:2-30), onde Jesus condena os fariseus por atribuir a belzebu os milagres que ele operava.

O quadro anexo compara os sinais com os deuses egípcios. Mas atenção é apenas um quadro comparativo do panteão egipicio, e não deve ser tomado de forma conclusiva.

A páscoa

As gerações futuras receberam a ordem de celebrar a páscoa comemorando o grande livramento dado por Javé ao povo escolhido (Ex. 12:13-14). A festa dos pães sem fermento os faria lembrar da grande pressa com que sairam da escravidão (12:11). A dedicação dos primogênitos os lembrariam da misericórdia de Javé, quando poupou os primogênitos hebreus do anjo da morte (12:23).

O NT interpreta a páscoa hebraica como um tipo da morte sacrificial de Jesus pelos pecadores (Jo. 1:29; I Co. 5:7). A ceia do Senhor é fundamentada no ritual da páscoa tanto como memorial (Lc. 22:7-30), quanto a expiação feita pelo cordeiro pascal (Ap. 5:6-14).

Os dez mandamentos

Estão registrados em Êxodo 20:1-17, onde Moisés não é mencionado como mediador, diferentemente do restante da lei. Talvez, para destacar o caráter eterno e perfeito da lei que Javé dava ao povo da aliança, o livro de Êxodo narra que Deus fala diretamente do céu, e não do monte Sinai. Oito, dos dez mandamentos, estão na forma negativa, ou seja, proibições. Isso ressalta o caráter absoluto da lei divina para o povo.

Os dez mandamentos podem ser considerados atos da graça divina para com seu povo, pois trouxeram um sentido religioso, ético e social a um imenso grupo que, pouco tempo antes, era apenas escravo. A lei representava o conjunto de regras da aliança firmada entre Javé o povo escolhido. No NT Jesus reduz estas leis a duas dimensões básicas e descata que a essência da lei era justiça, misericórdia e fé (Mt. 23:23).

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Deixe seu comentário:

  • Katia

    Que TREMENDO seu estudo, completo, mas de fácil entendimento. Deus te abençoe.

  • Rosemery Pereira

    Olá Alexandre,
    Seus comentários muito nos ajudam , gostaria de saber se você tem a intenção de fazer o mesmo estudo sobre os livros do Novo Testamento e postá-los aqui.
    Seria de grande valia !
    Que Deus lhe abençoe !

  • Edu Collado

    Muito bom, tenho acompanhado seu trabalho pelo BTCast. Deus continue te abençoando.

  • Gabriel Ferreira

    quanto tempo opvo de jerusalem ficou cativo na babilônia

  • Gleydcy Rodrigues Pimenta

    otimo

  • Srt Chelly Oliver

    Muito bom mesmo q Deus continue ti abençoando grandemente.

  • André de Jesus

    Gostei muito importante serve até pra extrair para pregar Parabéns.

  • Aline

    Qual foi a bibliografia utilizada ?

  • Marcelo Bittencourt

    ótimo. Sempre me ajudando na leitura e estudo! Obrigado, Milhoman!

  • Lulu Nascimento

    Quem é ignorante, imbecil, burro mesmo,analfabeto de cultura
    Para crer na estória de Jó?
    Acredita que Deus é pequeno ao ponto de apostar com o diabo?
    Pior, faz isso as custas do sofrimento de um filho.
    Deus? apostando, destruindo toda umavida de fé?
    Ridículo.
    Ridículo quem escreveu essa estória.
    Ridículo e ignorante quem nela crê.

    • Guto Pagiossi

      kkk

    • Palavra De Vida

      kkkkkkkkkkk onde esta a sua teologia cara

    • Claudio Montentegro Campos

      “Meu caro amigo Lulu,

      A Palavra de Deus é toda ela inspirada. Não há nela fábulas de homens. Você precisa crê que a Bíblia é a Palavra de Deus. Claro que a história de Jó é real e aconteceu exatamente como alí está escrito. Deus prova os homens para no fim lhes dar muito mais do que eles perdem. No caso de Jó ele recebeu, além das bençãos espirituais, porque ele mesmo diz: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem”. Mas ainda ele recebeu o dobro dos seus bens terrenos (materiais).

      Lulu, peça à Deus para lhe dar esclarecimento e revelação. O livro de Jó é o livro que possui o maior agregado científico de todos os livros da Bíblia e é o que primeiro foi escrito, entre todos os livros da Bíblia. Muitos sugerem que Moisés escreveu o livro de Jó. Leia este livro com fé e você será edificado grandemente.

  • Alexandre

    Lulu Nascimento, bom dia, eu não iria comentar, mas é bom esclarecer porque não se deve criar dúvidas infundadas. Sou teólogo, mestre e estudioso da palavra de Deus, amado irmão tudo o que Deus deixou escrito não só na escrita mas também nos exemplos materiais comprovado cientificamente, sempre foi por amor a sua criação: “O Ser Humano”, estude e verá, um exemplo “A Arca de Noé”: encontraram a arca e a madeira foi testada para datar a época, comprovação científica e entre outros, digo de novo estude. Se você leu a história de Jó vai ver o quanto Deus lhe ama porque com tudo o que passou não blasfemou a Deus, e Deus não faz apostas porque ele é Deus, mas se você estudar, vai ver que o diabo foi questionar a Deus porque ele é o pai da mentira, mas Deus sabia das qualidades que Jó, como a sua fé inabalável e isso só aconteceu para que todos nós consigamos ver que não importa a adversidade da vida mas tenhamos fé em Deus para que vínhamos a alcançar a vitória sobre essas adversidades, através daquele que nos criou. Nunca fique com duvidas acreditando que a verdade esta totalmente naquilo que você pensa porque somos falhos, perfeito somente Deus, Jesus e o Espirito Santo, estude e você verá o que hoje não consegue ver, peça e aceite Jesus na sua vida que somente ele pode dar o verdadeiro entendimento e sentido na vida. Abraços.
    Observação: DEUS sem você continua sendo DEUS o nosso criador.
    Para reflexão estude o que é FÉ.

    • Palavra De Vida

      Excelente amado irmão tenho acompanhado vários estudos e você não se desvia da palavra de Deus e continue levando a palavra de Deus irmão ainda que satanás queira difundir seje firme na palavra.

  • Nauana Psi

    Os jovens deveriam ter a partir de 20 anos e não 25. Números Capítulo1 vs. 3

  • Milho, mencionei este estudo em um blog sobre vida cristã, com link para sua página original. Tudo bem? 🙂

  • Eberson Luiz

    Gostaria que alguém me explicasse o livro de Naum capitulo 3 do verso 10 ao 15 por favor, grato.

  • Enock

    Fala Milho! Como sempre SENSACIONAL!
    Como te falei no Telegram, além da edificação pessoal, seus posts tem ajuda a enriquecer, e muito, os sermões.
    Deus abençoe!