Estudo sobre o livro de Sofonias

35 – Sofonias – Ninguém escapa do Dia do Senhor

Publicado em Introdução ao Antigo Testamento no dia 14 de janeiro de 2014

 

sofonias

Introdução ao Livro de Sofonias – Ninguém escapa do Dia do Senhor

Sofonias foi um profeta que viveu no mesmo período de Jeremias, e talvez tenha sido um membro da corte governamental, pois provavelmente era descendente do rei Ezequias. Na introdução (1:1) ao livro são citadas quatro gerações de sua família, talvez para ratificar o conhecimento que tinha sobre os pecados de Judá e dar credibilidade à sua pregação, uma vez que era descendente de um dos grandes reis de Jerusalém.

O século VII a.C. foi um período conturbado, pois a Babilônia estava em plena ascensão mundial com a derrocada do Império Assírio. O trabalho de Sofonias e Jeremias era testemunhar a favor de Deus na iminência da destruição do Templo e de Jerusalém pela Babilônia.

Do ponto de vista cronológico Sofonias se situa entre o fim do ministério de Isaías, no século VIII a.C., e o início de Jeremias. Sofonias quebrou o período de cinquenta anos de silêncio profético do reinado agressivo de Manassés e, junto com Jeremias, ajudou a fundamentar a reforma religiosa promovida por Josias (628-622 a.C. – 2 Cr. 34). Sofonias usou os principais temas teológicos dos profetas do século VIII para aplicá-los ao cenário turbulento do século VII.

Manassés reinou por cinquenta e cinco anos. Seu reinado reinstituiu o sincretismo religioso com a religião baalista, e embora tenha se arrependido no cativeiro babilônico, Judá não se recuperou mais deste reinado catastrófico. Uma geração inteira de hebreus só havia conhecido apenas um rei, e em condições, social e religiosa, completamente desfavoráveis. A tímida tentativa de reforma por Manassés (2 Cr. 33:12-19) não foi suficiente para apagar as manchas deixadas pela apostasia de cinco décadas e influenciou negativamente seu filho Amon, que herdou a apostasia do pai, arrematando o julgamento de Judá.

Josias, filho de Amon, começou a reinar aos oito anos de idade, e, entre seu 12º e 18º ano de reinado Josias instituiu a maior reforma religiosa até então. As práticas cúlticas e litúrgicas foram mudadas e eliminaram-se os elementos estrangeiros, contudo o coração do povo pareceu não ter mudado. Por esta razão os profetas Sofonias e Jeremias, após ele, denunciaram o pecado e anunciaram o juízo que já estava às portas de Judá.

Sofonias, tal qual Oséias e Amós, estava atento aos movimentos da política internacional; ao enfraquecimento da Assíria como potência mundial e à ascensão da Babilônia no Antigo Oriente Próximo. Alguns anos após a profecia de Sofonias, Nínive, capital do Império Assírio, foi destruída; Josias foi morto em Megido (2 Rs. 23:29); Nabucodonosor derrotou o Egito na batalha de Carquemis e tomou o controle da Palestina e da Síria das mãos da Assíria. Judá foi então destruída e o grande dia do sacrifício do Senhor havia chegado (Sf. 1:8).

Estrutura de Sofonias

O livro de Sofonias pode ser dividido da seguinte maneira:

  1. O Julgamento

    1. Aviso do julgamento universal (1:1-3)

    2. O julgamento de Judá e Jerusalém (1:4-13)

    3. O julgamento das nações (1:14 – 2:15)

    4. A acusação de Judá e Jerusalém (3:1-7)

    5. Aviso do julgamento universal (3:8)

  2. A Restauração (3:9-20)

Além de Amós, Sofonias é o único profeta menor que proclama oráculos contra as nações além de Judá. Portanto, esses julgamentos não devem ser vistos isoladamente, mas parte de um programa de Javé para punir os crimes contra a humanidade que essas nações cometiam.

Sofonias é o profeta que mais mencionou o “Dia do Senhor”. Sua ênfase no julgamento divino dá a tônica do livro tanto em termos do julgamento manifestado na história de cada nação como parte da completude escatológica na preservação do remanescente (3:13).

A expressão “Naquele dia” evoca uma ideia de terror e angústia onde Judá e todas as nações ao seu redor seriam julgadas. Esse julgamento é descrito em termos universais e ecológicos (1:2-3), quando a humanidade seria julgada por seus pecados. Mais uma vez a natureza sofre as consequências pela transgressão da humanidade.

Em virtude do sincretismo religioso com seus sacrifícios humanos, idolatria e astrologia Judá seria julgada. Esse julgamento alcançaria todas as camadas da sociedade, que estavam contaminadas pelo pecado (1:4-13). Embora Sofonias fizesse parte da família real, isso não o impediu de denunciar o uso de roupas estrangeiras (1:8) pelos príncipes de Judá, isto é, a aceitação dos valores éticos, morais e espirituais dos pagãos.

Depois de alistar as razões do castigo, Sofonias descreve as características terríveis do julgamento do Senhor, com cataclismos e angústia sem precedentes (1:14-18).Não obstante, este julgamento seria apenas um vislumbre do grande julgamento dos fins dos tempos que ainda há de vir.

Os próximos trechos dos oráculos de Sofonias (2:4 – 3:8) atingem as nações ao redor de Judá. O julgamento em geral acontece em razão do orgulho e arrogância dessas nações que desprezaram Israel (2:8-11).

A parte final do livro trata sobre a restauração de Deus após seu julgamento e enfatiza o amor por seu povo. Os gentios também serão renovados e haverá a possibilidade de servirem ao Senhor com harmonia (3:9-10). Israel será purificado e reunido (3:11) assim que buscar ao Senhor e fugir do pecado (3:12-13). Jerusalém receberá o perdão de Deus e terá a presença do Senhor em seu meio (3:14-17).

Israel, por fim, será restaurado de acordo com as bênçãos da Aliança em Deuteronômio (Dt. 26:18-19).

Propósito e conteúdo

Sofonias aborda os seguintes temas:

  • O dia do Senhor vem aí

  • O juízo por vir será universal

  • Os humildes devem buscar o Senhor

Sofonias pretendeu causar mudanças profundas em Judá quando declarou seus oráculos, pois o anúncio do juízo divino tinha a intenção de restaurar o povo da Aliança. O teor de sua mensagem era o Dia do Senhor, que se aproximava rapidamente, e incluía a denúncia contra os líderes religiosos e os oficiais corruptos. Portanto, o julgamento não seria punitivo, mas corretivo.

Embora o julgamento tenha sido claramente exposto, Sofonias não mencionou a forma que teria. A corrupção político-espiritual traria consequências permanentes. Ao mesmo tempo, Sofonias insiste para que os justos busquem ao Senhor, a fim de que fossem poupados pela misericórdia no dia da ira de Deus.

A restauração mencionada em 3:9-20 foi de caráter religioso-espiritual, onde o remanescente disporia da paz e segurança do Senhor (3:15).

O dia do Senhor

O termo “dia do Senhor” foi usado pelos profetas para indicar o dia quando Deus instalasse sua própria ordem no mundo e quase todas as profecias que se utilizam deste termo apontam para movimentos rumo a essa condição ideal. Entretanto, antes da concretização final, que será realizada diretamente pelo Senhor, cumpre-se o processo de acabar com a iniquidade.

Logo, antes do dia do Senhor escatológico, isto é, o dia que inaugurará a ordem estabelecida pelo próprio Deus, existem diversos “dia do Senhor”. Por isso, a queda de Nínive, da Babilônia e a própria derrocada de Jerusalém são consideradas como “dia do Senhor”. Neste caso, o julgamento divino não é final, embora fosse bastante drástico. O resultado deste dia do Senhor permitiria o surgimento de um remanescente purificado.

O dia do Senhor é um momento onde a justiça é feita e geralmente é retratado com a inversão da ordem atual. Um exemplo é que o dia do Senhor é descrito como um dia de trevas e não de luz; os pobres são exaltados acima dos ricos e os senhores servirão os servos. Esta é uma característica da literatura profética que se utiliza do conceito de Dia do Senhor.

O povo hebreu sempre imaginou um dia do Senhor como um dia de alegria onde Javé destruiria para sempre seus inimigos e eles triunfariam. Mas jamais esperaram que também seriam julgados nesse dia. Desde Amós, os profetas desmistificaram essa ideia, dizendo que os israelitas também estariam entre os inimigos de Deus, maduros para o dia do juízo (Am. 5:18-20).

Javé não podia tolerar o orgulho, que impedia que o povo confiasse no Senhor para sua salvação. O orgulho era o mal enraizado no coração do ser humano; Judá (2:3), Moabe (2:10) e Nínive (2:15) não estavam isentos dessa doença. A declaração de independência de Deus era o terrível pecado. Os únicos aptos a escapar da fúria da ira do Senhor era o humilde que confiaria em seu nome (3:12).

No Novo Testamento, o próprio Deus, encarnado em Jesus aprofundaria ainda mais todos esses conceitos, e daria ele mesmo o exemplo em sua própria vida.

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Deixe seu comentário:

  • Katia

    Que TREMENDO seu estudo, completo, mas de fácil entendimento. Deus te abençoe.

  • Rosemery Pereira

    Olá Alexandre,
    Seus comentários muito nos ajudam , gostaria de saber se você tem a intenção de fazer o mesmo estudo sobre os livros do Novo Testamento e postá-los aqui.
    Seria de grande valia !
    Que Deus lhe abençoe !

  • Edu Collado

    Muito bom, tenho acompanhado seu trabalho pelo BTCast. Deus continue te abençoando.

  • Gabriel Ferreira

    quanto tempo opvo de jerusalem ficou cativo na babilônia

  • Gleydcy Rodrigues Pimenta

    otimo

  • Srt Chelly Oliver

    Muito bom mesmo q Deus continue ti abençoando grandemente.

  • André de Jesus

    Gostei muito importante serve até pra extrair para pregar Parabéns.

  • Aline

    Qual foi a bibliografia utilizada ?

  • Marcelo Bittencourt

    ótimo. Sempre me ajudando na leitura e estudo! Obrigado, Milhoman!

  • Lulu Nascimento

    Quem é ignorante, imbecil, burro mesmo,analfabeto de cultura
    Para crer na estória de Jó?
    Acredita que Deus é pequeno ao ponto de apostar com o diabo?
    Pior, faz isso as custas do sofrimento de um filho.
    Deus? apostando, destruindo toda umavida de fé?
    Ridículo.
    Ridículo quem escreveu essa estória.
    Ridículo e ignorante quem nela crê.

    • Guto Pagiossi

      kkk

    • Palavra De Vida

      kkkkkkkkkkk onde esta a sua teologia cara

    • Claudio Montentegro Campos

      “Meu caro amigo Lulu,

      A Palavra de Deus é toda ela inspirada. Não há nela fábulas de homens. Você precisa crê que a Bíblia é a Palavra de Deus. Claro que a história de Jó é real e aconteceu exatamente como alí está escrito. Deus prova os homens para no fim lhes dar muito mais do que eles perdem. No caso de Jó ele recebeu, além das bençãos espirituais, porque ele mesmo diz: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem”. Mas ainda ele recebeu o dobro dos seus bens terrenos (materiais).

      Lulu, peça à Deus para lhe dar esclarecimento e revelação. O livro de Jó é o livro que possui o maior agregado científico de todos os livros da Bíblia e é o que primeiro foi escrito, entre todos os livros da Bíblia. Muitos sugerem que Moisés escreveu o livro de Jó. Leia este livro com fé e você será edificado grandemente.

    • PrNilo da Costa

      Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
      Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
      1 Coríntios 2:14,15

    • Alan Stuani Correa

      Sou cristão mas não sou leigo, a teologia nunca pode ser feita dentro da igreja para não ter interferências religiosas ou doutrinárias, a escolha do canon biblico, que a é a escolha dos livros que entram ou nao na biblia ja começa com controversias, Jó provavelmente não existiu, porque? tudo que tem na biblia e que realmente aconteceu, sempre tem uma referência na historia secular contada por outros povos nações, que mostra sua veracidade, um exemplo de jó não existe nenhuma referencia externa que testifique a existencia de jó, tanto que não se sabe quem escreveu o livro muito menos sua existencia, as coisas verdadeiras nao podem ter margem de erro, tipo nao se sabe quem foi o escritor ou o autor, as coisas de Deus tem que ser sim sim nao nao como se diz os cristãos tradicionais, so que eles mesmos se contradizem quando falam que um personagem biblico existiu sendo que nao sabem quem escreveu o o livro desse personagem, isso é um problema, ou é ou nao é. como o caso de Paulo errou falou 12 apostolos sendo que seria somente 11 pois judas já havia se suicidado, ele errou? os escribas erraram, ou 12 APOSTOLOS era uma instituição?

      • Kamylla Gilson Davi

        A paz do senhor irmão sou cristã e gosto muito de estudar a palavra do senhor você falou sobre jo que no não exisitia PK nao existir nenhuma referencia. Só que jo foi vem antes mesmo de Moisés . Moisés foi quem escreveu Gênesis , êxodo , Levítico , números e Deuteronômio,Moisés escreveu estes livros porque Deus revelou a ele como foi feita a criação e tudo mais até chegar em seus dias ….acredita-se que quem escreveu o livro de jo foi Moisés .quando Paulo fala dos 12 apóstolos foi PK Matias ficou no lugar de Judas o escariotes que traiu Jesus leia atos capítulo 1 e versículo 25 e 26

      • Simone

        Amado Alan, Paulo nao errou, pq com a morte de Judas foi escolhido a Matias para ficar em seu lugar, portanto, continuaram sendo 12. Abços

    • Lea Carneiro

      Lulu, um dia Deus vai abri ros olhos do seu coração, quem somos nós
      para dizer o que Deus fez com Jó ??? Deus é o dono do mundo, do ar que
      respiramos… Ele decide, e nós somos suas ovelhas e Ele é o Pastor.
      Quando Deus criou o mundo onde estavamos?????? Ele pode tudo… nós não. Deus não é pequeno ,nunca foi e nunca será… nós somos pequenos por tentar pensar sem ajuda dEle. Tudo é pra Ele, e nunca foi sobre nós. A Bíblia é o manual de instrução que Ele deixou pra nós, tudo que está escrito aconteceu. Fique na Paz!

  • Alexandre

    Lulu Nascimento, bom dia, eu não iria comentar, mas é bom esclarecer porque não se deve criar dúvidas infundadas. Sou teólogo, mestre e estudioso da palavra de Deus, amado irmão tudo o que Deus deixou escrito não só na escrita mas também nos exemplos materiais comprovado cientificamente, sempre foi por amor a sua criação: “O Ser Humano”, estude e verá, um exemplo “A Arca de Noé”: encontraram a arca e a madeira foi testada para datar a época, comprovação científica e entre outros, digo de novo estude. Se você leu a história de Jó vai ver o quanto Deus lhe ama porque com tudo o que passou não blasfemou a Deus, e Deus não faz apostas porque ele é Deus, mas se você estudar, vai ver que o diabo foi questionar a Deus porque ele é o pai da mentira, mas Deus sabia das qualidades que Jó, como a sua fé inabalável e isso só aconteceu para que todos nós consigamos ver que não importa a adversidade da vida mas tenhamos fé em Deus para que vínhamos a alcançar a vitória sobre essas adversidades, através daquele que nos criou. Nunca fique com duvidas acreditando que a verdade esta totalmente naquilo que você pensa porque somos falhos, perfeito somente Deus, Jesus e o Espirito Santo, estude e você verá o que hoje não consegue ver, peça e aceite Jesus na sua vida que somente ele pode dar o verdadeiro entendimento e sentido na vida. Abraços.
    Observação: DEUS sem você continua sendo DEUS o nosso criador.
    Para reflexão estude o que é FÉ.

    • Palavra De Vida

      Excelente amado irmão tenho acompanhado vários estudos e você não se desvia da palavra de Deus e continue levando a palavra de Deus irmão ainda que satanás queira difundir seje firme na palavra.

  • Nauana Psi

    Os jovens deveriam ter a partir de 20 anos e não 25. Números Capítulo1 vs. 3

  • Milho, mencionei este estudo em um blog sobre vida cristã, com link para sua página original. Tudo bem? 🙂

  • Eberson Luiz

    Gostaria que alguém me explicasse o livro de Naum capitulo 3 do verso 10 ao 15 por favor, grato.

  • Enock

    Fala Milho! Como sempre SENSACIONAL!
    Como te falei no Telegram, além da edificação pessoal, seus posts tem ajuda a enriquecer, e muito, os sermões.
    Deus abençoe!

  • Jorge Nino

    Muito bom ah muitas duvidas que matei atrazes deste estudo e tambem adquiri
    mais conhecimento

  • Manoel Belem

    Deus sem o homem não é nada, o homem sem Deus continua sendo o homem, a medida de todas as coisas. Leiam, estudem, parem de escever merda.

  • Rodrigo Vieira da Silva

    Olá Alexandre, parabéns.
    Em meu site eu também publiquei uma breve introdução do livro de provérbios, confira.

    http://igrejarestauracaoevida.com.br/sermoes/introducao-ao-livro-de-proverbios/

  • Rodrigo Vieira da Silva

    Parabéns, pelo o artigo.
    Mas eu também produzi um material sobre a introdução do Livro de Levítico, vocês podem conferir no link abaixo.

    http://igrejarestauracaoevida.com.br/sermoes/introducao-do-livro-de-levitico/

  • Roque

    Boa noite, preciso de uma ajuda. Em Isaías 34:16a encontramos: “Buscai no livro do Senhor e lede:…”. Qual seria esse livro?