O testemunho cristão

O testemunho e a beligerância cristã

Publicado em Filosofia Cristã no dia 15 de setembro de 2014

Testemunho

O testemunho e a beligerância cristã

Testemunhar é ser martirizado. Sim, a raiz do verbo testemunhar vem do termo martírio em grego. À medida que a maioria dos primeiros cristãos sofria retaliações da sociedade, o termo martírio passou a designar a morte em razão do testemunho de Cristo. O cristão foi chamado para ser um mártir. Portanto, testemunhar era ser martirizado.

Durante séculos os cristãos estiveram à margem da sociedade, e sempre que viviam sua fé no Cristo, sempre que testemunhavam de sua nova condição de vida, eram postos à prova…de morte.

O tempo passou, e os cristãos tomaram o comando da sociedade. O grande problema com isso foi que, em lugar do seu testemunho pessoal no dia a dia, os cristãos acharam que deveriam influenciar a sociedade criando leis e padrões cristãos, numa tentativa forçada de cristianizar a sociedade. Não passou muito tempo e a igreja perdeu a sua característica marginal.

Logo sugiram mais leis cristianizadoras, leis que obrigavam até mesmo àqueles que nunca ouviram falar de Cristo a viverem como ele viveu. Pouco tempo depois, o evangelismo pessoal e o discipulado cristão deram seu lugar a uma fôrma que padronizava a todas as pessoas de acordo com aquilo que o clero havia definido como o padrão cristão.

Ora, uma vez que exista uma fôrma cristã padronizadora de bons cidadãos de caráter ilibado, qual seria o papel do Espírito Santo na formação do cristão? Paulo diz para desenvolvermos nossa salvação, o que indica um processo com estágios. Um processo não prevê algo pronto, mas uma transformação de acordo com o passar do tempo. Na vida cristã, essa transformação é realizada pelo Espírito Santo e não por meio de leis robotizadoras.

O mesmo fenômeno visto nas épocas medievais se repete em nossos dias quando vemos cristãos batalhando para a criação de leis cristianizadoras. Dizem que se trata de uma tentativa de lutar pela família e pela igreja. Entretanto, não há nenhum único mandamento que nos ordena a lutar pela igreja nem pela família. Devemos sim cuidar da igreja e da família, entretanto, cuidar é uma coisa bem diferente do que alguns propõem.

O cuidar da família deve ser feito com educação, amor e carinho e não com o convencimento compulsório de formas corretas ou falsas de família. O cuidado com a igreja deve ser feito com mensagens bíblicas, com ensino teológico sólido e não contra as pessoas e organizações da sociedade.

É claro que devemos pregar contra o pecado e contra a injustiça, pois o testemunho de Cristo envolve estas ações práticas também. Mas isso não se faz nas luzes dos holofotes. Não faz com leis. A igreja nasceu marginal, e é à margem da sociedade que ela deve agir e protestar. É por meio do Espírito Santo que a transformação acontece e não por meio de leis cristianizadoras promulgadas e impostas à sociedade. Não há lugar no Estado para o Espírito Santo. Deus habita no cristão e não no Estado.

Meu desejo é que nós voltemos a testemunhar da graça de Cristo, voltemos a ensinar a Bíblia, voltemos a usar um vocabulário de amor em lugar de termos bélicos. Enfim, voltemos à marginalidade na qual a igreja foi concebida.

Deixe seu comentário: