O Sermão da Montanha - Os pobres de espírito

O Sermão da Montanha – Os pobres de espírito

Publicado em O Sermão da Montanha no dia 2 de dezembro de 2015

Sermão da Montanha - Os pobres em Espírito

“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.” (Mateus 5:3).

Jesus começa começa o Sermão da Montanha destacando uma das características do cidadão do Reino dos céus. Este verso é a chave para compreendermos todos os demais ensinamentos de Jesus dados nessa ocasião. Ao afirmar que o Reino dos céus pertence aos pobres em espírito, Jesus está dizendo que todos os seus mandamentos são para as pessoas dessa natureza. Assim, os ensinos deste Sermão não são para toda a multidão.

Sendo o Sermão da Montanha o código de ética do cidadão do Reino dos céus, podemos afirmar que este Reino é composto por pessoas que são pobres em espírito. Todas as demais características do cidadão deste Reino derivam desta primeira.

O termo usado para designar “pobre” nesse versículo tem o sentido de alguém privado de todas as coisas, alguém que não possui absolutamente nada. Assim, para que o discípulo seja admitido nesse Reino é necessário não ter nada, ou estar desprovido de todas as coisas.

Dessa forma, ser pobre em espírito significa que quando estamos diante de Deus, nós nos reconhecemos vazios e sem nada para oferecer. A consequência prática desse ensino é que nós devemos reconhecer nossa incapacidade e pecado quando estamos diante de Jesus. Nós somos pecadores vazios que precisamos ser salvos.

Se nós somos pobres em espírito, nós nos reconhecemos pecadores. Se nós nos reconhecemos pecadores, nós nos daremos conta de que precisamos da graça de Deus. Se nós temos a graça de Deus, nós somos salvos. E se nós somos salvos, nós somos cidadãos do Reino dos Céus.

Uma vez que nos reconhecemos pobres em espírito, sabemos que não podemos fazer nada sem a graça de Deus, nem mesmo cumprir os demais mandamentos que vem depois deste.

É por isso que o Sermão da Montanha não é uma ordem para moralizar o mundo, nem um conjunto de leis para instaurar o Reino dos Céus como uma instância política aqui na Terra.

Nós estamos vazios e não podemos fazer nada à parte da graça de Deus. A transformação do discípulo de Jesus, do cidadão do Reino dos céus, acontece sempre de dentro para fora e nunca o contrário.

Assim, ele começa a sua transformação de caráter internamente antes de fazer qualquer coisa externamente. Essa transformação interior que começa por admitir o seu vazio diante de Deus, choca-se com o padrão do mundo que pede que as pessoas sejam poderosas, descubram sua força interior, que sejam conquistadoras e independentes.

Entretanto, Jesus pede que os seus discípulos admitam seu vazio interior, sua fraqueza e sua dependência da graça de Deus. O discípulo de Jesus não conquista o mundo, pois o Reino dos céus já lhe foi dado.

Ser pobre em espírto não quer dizer ser tímido ou retraído. Não se trata também de uma falsa humildade ou modéstia. Há momentos nos quais fazemos determinadas coisas para que todos observem nossas atitudes de modéstia e humildade. Da mesma maneira nós não temos que fazer grandes sacrifícios para sermos pobres em espírito. Não é isso que Jesus está pedindo do seu discípulo.

Ser pobre em espírito é simplesmente se reconhecer pecador diante de um Deus Santo. É se reconhecer vazio diante do Deus todo-poderoso.

Todos nós temos medo do vazio, pois quando estamos diante dele nós somos obrigados a olhar dentro de nós mesmos. E quando olhamos para dentro de nós mesmos, nós percebemos que temos a necessidade de sermos transformados.

O apóstolo João em sua primeira carta (1 Jo. 3:2) afirma que nós ainda não somos aquilo que verdadeiramente seremos um dia. E aquilo que seremos um dia, pela transformação gerada pela graça de Deus em nós, nos leva diretamente ao Reino dos céus, que foi feito para aqueles que se reconheceram pobres, vazios e dependentes da graça de Deus.

Não é possível estar diante de Deus sem reconhecer nosso vazio interior, nossa limitação e sem reconhecer nossa dependência da sua graça e misericórdia. O Reino dos céus pertence a esses que já passaram pela experiência de se descobrirem vazios diante do Deus todo-poderoso.

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