Alexandre Milhoranza Teologia com qualidade e vida | Estudos teológicos no Antigo Testamento e Novo Testamento

O desenvolvimento do cânon do Novo Testamento

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

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O desenvolvimento do cânon do Novo Testamento

A história do cânon do Novo Testamento foi bem diferente do Velho Testamento. Não havia uma entidade ou organização que colecionassem os livros inspirados. Desde o começo a Igreja sempre foi uma comunidade internacional, então não havia como ter um único lugar de coleção destes livros considerados sagrados.

Os escritos sagrados eram copiados e colecionados nas diversas comunidades espalhadas. Por isso o processo para canonização dos escritos do Novo testamento levou alguns séculos. Uma vantagem foi que após haver o consenso sobre os livros realmente inspirados não houveram mais tentativas de inserir ou eliminar livros do cânon formado e aceito.

Os estímulos para que se colecionassem oficialmente os livros

Três fatores contribuíram para que se providenciasse o reconhecimento oficial dos livros do Novo Testamento: fator eclesiástico, fator teológico e o fator político.

O estímulo eclesiástico à lista dos canônicos

  • A necessidade de saber quais livros deveriam ser lidos em seus cultos, conforme a prática recomendada pelos apóstolos (1 Ts. 5:27).
  • A necessidade de saber quais livros deveriam ser traduzidos para as línguas estrangeiras dos convertidos.
  • A combinação destas forças exerceu pressão nos pais da igreja para que houvesse o reconhecimento dos livros inspirados.

O estímulo teológico à lista dos canônicos

Visto que toda escritura é útil para a doutrina (2 Tm. 3:16-17), tornou-se necessário definir os limites do que era a escritura, qual era o legado doutrinário dos apóstolos. Por causa da multiplicação dos livros heréticos (cânon de Marcião), foi de extrema urgência e importância definir quais livros seriam aplicados para o ensino da doutrina dos apóstolos.

O estímulo político à lista dos canônicos

As duas forças anteriores culminaram na pressão política sobre a Igreja para que se definissem os livros que eram realmente inspirados. Houve também a perseguição aos cristãos e a ordem para queimar quaisquer escritos dos mesmos. Então era necessário definir quais livros deveriam ser preservados e escondidos desta perseguição.

A compilação e o reconhecimento progressivo dos livros canônicos

Há fortes evidências de que os livros do Novo testamento foram colecionados e preservados, e sem dúvida alguma foram copiados e distribuídos pelas igrejas existentes na época.

Evidências neotestamentárias de um cânon crescente

O Novo testamento foi escrito na segunda metade do século I. A maior parte dos livros foi escrita para alguma igreja em particular (a maior parte das cartas de Paulo) e outras foram redigidas para pessoas em particular (Filemon, 2 e 3 João). Outros livros tinham o objetivo de atingir regiões inteiras: Ásia Oriental (1 Pedro), Ásia Ocidental (Apocalipse) e até mesmo Europa (Romanos). Algumas dessas cartas tiveram origem em várias regiões distintas: Jerusalém (Tiago); Roma, nos confins do Ocidente (1 Pedro). Desta forma é compreensível que a Igreja não tivesse todos os livros à sua disposição de imediato. Junte-se a isso a dificuldade com transporte e comunicação, e veremos que seria preciso algum tempo até que houvesse a coleção completa destes livros e a conseqüente canonização dos mesmos. Porém, apesar destas dificuldades a Igreja começou de imediato a coleção de todos estes escritos apostólicos.

A seleção dos livros fidedignos

Desde o início da era cristã houveram vários escritos falsos, ou não condizentes com os verdadeiros fatos sobre a vida de Cristo. Compreendemos isso lendo os primeiros versos do livro de Lucas (Lc. 1:1-4). Paulo advertiu os tessalonicenses sobre falsas cartas atribuídas a ele (2 Ts. 2:20). Paulo sempre assinava suas cartas de modo particular (2 Ts. 3:17).

O apóstolo João nos afirma que existiram muitas outras coisas que Jesus fez, que não estavam escritos nos evangelhos (Jo 20:30; Jo 21:25). Desta maneira começaram a surgir muitas crendices sobre a vida de Jesus. Enquanto as testemunhas oculares da morte e ressurreição de Jesus ainda estivessem vivas, tudo poderia passar pela autoridade oral dos apóstolos (1 Ts. 2:13; 1 Co. 11:2). Há quem acredite que estas tradições orais dos apóstolos originou o kerigma (proclamação) que funcionava como um cânon dentro do cânon. Quer o kerigma fosse o critério, ou não, fica claro que a igreja apostólica também tinha que ser seletiva e apurar os fatos sobre a vida e ensinos de Jesus. João, em seu evangelho, destrói uma heresia que se havia se tornado comum naquele tempo: que ele jamais morreria (Jo 21:23-24). Ele também escreveu outra advertência dizendo para não crer em qualquer espírito que diga ser vindo de Deus (1 Jo 4:1).

Diante disso concluímos que na igreja primitiva já havia um processo de seleção canônica em operação. Quaisquer palavras, fossem orais ou escritas, eram submetidas ao ensino apostólico. Se tal palavra não pudesse ser comprovada pelas testemunhas oculares(Lc. 1:2;At. 1:21-22), era rejeitada. Os apóstolos eram o tribunal pelo qual os ensinos eram testados e confrontados (1 Jo. 1:3; 2 Pe. 1:16). O próprio Deus deu testemunho aos apóstolos (Hb. 2:3-4).

A leitura de livros autorizados

Outra evidência do processo de canonização do Novo Testamento era a leitura pública das cartas que os apóstolos enviavam às igrejas. Paulo ordena aos tessalonicenses que sua carta seja lida a todos (1 Ts. 5:27). Paulo faz o mesmo com os colossenses (Cl. 4:16). Na realidade este era um costume antigo da comunidade judaica, a leitura das escrituras publicamente.

  • Moisés e Josué o praticaram (Ex. 24:7;Js. 8:34)
  • Josias pediu para que se lesse a Bíblia em seus dias (2 Rs. 23:2)
  • Esdras o reinstituiu (Ne. 8:8)

Isto indica que as cartas apostólicas tinham por objetivo serem lidas em várias comunidades, e não apenas no lugar para o qual eram destinadas. À medida que iam recebendo e lendo também colecionando estes escritos. Mais tarde este costume teria importância vital para a canonização do Novo Testamento.

A circulação e a compilação dos livros

No início da Igreja nenhuma comunidade cristã tinha a coleção completa dos escritos apostólicos, mas a coleção foi crescendo à medida que as igrejas iam recebendo as cartas e fazendo cópias autenticadas pela assinatura dos apóstolos ou seus emissários. Conforme foram crescendo as igrejas cristãs, novas cópias eram necessárias para que fossem lidas e estudadas nestas novas comunidades.

Conforme vemos em Colossenses já havia o costume da circulação das cartas.

O apóstolo João foi orientado a escrever seu ultimo livro, o Apocalipse, e envia-lo às sete igrejas pela Ásia Menor (Atual Turquia). Ou seja, teria de haver a circulação deste livro entre estas igrejas (Ap. 1:11).

Outros livros seguem o mesmo padrão. Tiago havia escrito às doze tribos da Dispersão (Tg 1:1). Pedro também escreveu a várias comunidades distintas (1 Pe. 1:1).

Todas essas cartas-circulares revelam o início do processo de canonização. As cartas eram obviamente primeiro endereçadas à Igreja para qual era destinada, mas depois essas igrejas deveriam fazer cópias e enviar a outras comunidades.

E não deveriam ser apenas lidas uma vez, mas Paulo orienta a leitura continuada destas cartas (1 Tm. 4:11-13).

Existe evidência no Novo Testamento desta coleção crescente dos escritos. Basta analisarmos o texto de 2 Pe. 3:15-16. Pedro possuía um conjunto dos escritos de Paulo, que colocava ao lado “das outras escrituras”. Ora, se as cartas foram endereçadas às igrejas específicas o que levou Pedro a ter uma cópia destas cartas de Paulo? Isto demonstra que realmente havia coleções dos escritos dos apóstolos sendo feitas.

Desta forma, notamos que desde o início da Igreja a formação do cânon do Novo Testamento estava em pleno andamento.

No final do século I, todos os escritos apostólicos já haviam sido recebidos pelas igrejas.

Porém, pelo fato da dificuldade de locomoção e comunicação, demorou-se alguns séculos até que todos estes escritos fossem reunidos e formalmente agrupados num único livro. Além da seleção dos falsos escritos que também circulavam entre a comunidade neo testamentária, o que levou a um acréscimo do tempo necessário para o reconhecimento dos escritos inspirados.

A confirmação da compilação oficial dos livros canônicos

O testemunho dos pais da Igreja sobre o cânon

Logo após a primeira geração de cristãos, todos os livros do Novo Testamento já haviam sido citados nas obras dos primeiros pais da Igreja. Esta geração havia convivido com os apóstolos diretamente. Devemos ter o cuidado de não achar que, por um determinado pai da Igreja não ter citado algum livro do Novo Testamento, este não seja dotado de autoridade divina, afinal isto não é um pré-requisito de sua canonicidade. Basta fazer um exercício consigo mesmo: qual foi a última vez que você mencionou o livro de Filemom? O mesmo princípio se aplica aos pais da Igreja. O importante a ser destacado é que todos os livros do Novo Testamento, já no segundo século, havia sido citado por todos os pais da Igreja na época.

O testemunho das listas primitivas e das traduções do cânon

Outras confirmações sobre o cânon do Novo Testamento estão claras em algumas traduções mais antigas e listas canônicas entre os séculos II e IV. Não poderia haver uma lista, ou uma tradução, sem antes reconhecer-se serem estes livros dotados de autoridade divina.

Antiga tradução Siríaca (Síria) – Uma antiga tradução circulou na Síria no fim do século IV. Continha todos os livros do Novo Testamento exceto: 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Isto é explicado pelo fato dos livros omitidos serem dirigidos a igrejas no Ocidente, a igreja siríaca ficava no Oriente. A distância e falta de comunicação atrasaram o processo de reconhecimentos destes livros por parte da Igreja Oriental. Esta versão da Bíblia foi editada antes desta confirmação ser aceita por todos.

Antiga Latina – O Novo Testamento já havia sido traduzido para o latim antes do ano 200. Continha todos os livros do Novo Testamento exceto: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro. A omissão a estes livros são o oposto da tradução siríaca. Estas cartas haviam sido escritas a princípio para as igrejas orientais, então devido aos mesmos problemas relatados anteriormente, demorou até que as igrejas no Ocidente tivessem o reconhecimento destes livros.

Cânon Muratório (170 d.C.) – Além do cânon herético de Marcião, a lista canônica mais antiga se encontra no fragmento muratório. É idêntico à Antiga Latina, excluindo-se Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro. Porém os estudiosos acreditam que houve uma falha nos manuscritos, pois Hebreus e 1 Pedro estavam ausentes, ao passo que livros menos frequentes como Filemom e 3 João estavam incluídos.

Códice barocócio (206 d.C.) – Outro testemunho do cânon primitivo vem de um códice intitulado “Os sessenta livros”. Esta obra continha 64 dos 66 livros da Bíblia atual, exceto Ester no Velho Testamento e Apocalipse no Novo Testamento. A canonicidade de Apocalipse está bem atestada em outras obras, entre elas o Códice Muratório. Teve também o apoio de Justino Mártir, Ireneu, Clemente de Alexandria e Tertuliano.

Eusébio de Cesaréia (c. 340 d.C.) – A situação do Novo Testamento no século IV já estava bem definida. Em sua obra “História Eclesiástica” ele mencionou como totalmente aceitáveis os livros do Novo Testamento, exceto: Tiago, Judas, 2 Pedro e 2 e 3 João, pois este livros eram questionados por alguns ainda. Havia também o Apocalipse que ele próprio rejeitava. Desta forma, todos os livros do Novo Testamento, exceto Apocalipse tinham o reconhecimento da autoridade divina.

Atanásio de Alexandria (c. 373) – Nos cinqüenta anos seguintes a Eusébio, Atanásio relaciona todos os 27 livros do Novo Testamento como canônicos. Mais tarde, na geração seguinte, tanto Jerônimo quanto Agostinho teriam confirmado a mesma lista de livros canônicos, de modo que os mesmos permaneceram no cânon do Novo Testamento (Da Doutrina Cristã).

Concílios de Hipo (393) e Cartago (397) – Os testemunhos de apoio não se limitaram apenas a indivíduos. Estes dois concílios também reforçaram o apoio ao reconhecimento da autoridade divina aos 27 livros do Novo Testamento.

Então, desde o século V a Igreja tem aceito esses 27 livros como canônicos.

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A extensão do cânon do Antigo Testamento

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

cânon do Antigo Testamento

A extensão do cânon do Antigo Testamento

A aceitação dos 24 livros que compõem o cânon hebraico Não resolveu a questão de uma vez por todas. Alguns estudiosos de eras posteriores nem sempre estavam conscientes dos fatos da aceitação original, e destas dúvidas nasceram alguns conceitos técnicos sobre a aceitação dos livros. Veremos quatro classificações que os livros receberam de acordo com sua aceitação ou rejeição.

  • Livros aceitos por todos – Homologoumena
  • Livros rejeitados por todos – Pseudepígrafos
  • Livros questionados por alguns – Antilegomena
  • Livros aceitos por alguns – Apócrifos

Os livros aceitos por todos – Homologoumena

São os livros que nunca foram questionados por nenhum dos grandes rabis. Todos reconheceram ser detentores da inspiração divina. Trinta e quatro dos 39 livros que formam o Velho Testamento são pertencentes a esta classificação. Os cinco excluíveis seriam: Cântico dos cânticos, Eclesiastes, Ester, Ezequiel e Provérbios. Como não foram alvo de sérias contradições, podemos focar nosso estudo aos outros livros.

Os livros rejeitados por todos – Pseudepígrafos

Os documentos tidos como não inspirados que circulavam entre a comunidade hebraica no Velho Testamento são conhecidos como pseudepígrafos. Nem tudo o que está escrito nestes livros são mentiras, porém alguns conceitos apresentados chegam a ser heréticos, pois apresentam algumas palavras com suposta autoridade divina, isso num contexto de fantasia religiosa. O Novo Testamento chega a mencionar algumas coisas destes livros. Em Jd. 14-15 está a citação de um trecho do livro de Enoque e Paulo cita a penitência de Jambres e Janes (2 Tm. 3:8). Devemos notar que o Novo Testamento cita os fatos verdadeiros deste livros, sem contudo atribuir-lhes autoridade divina. Afinal, a verdade é sempre verdade, mesmo quando dita por um : profeta pagão (Nm. 24:17), animal irracional mudo (Nm. 22:28) ou mesmo um demônio (At. 16:17)

l A natureza dos pseudepígrafos

Contém os extremos da fantasia religiosa judaica no período compreendido entre 200 a.C. e 200 d.C. Alguns são inofensivos, assim como o Salmo 151, porém outros contém erros históricos e heresias. Analisando-se superficialmente, estes livros são tomados por religiosos. Porém a não fundamentada autoridade divina e os ensinos questionáveis e heréticos algumas vezes, levaram os pais do judaísmo a considerá-los não inspirados. Abaixo segue uma pequena lista dos principais livros desta classificação (existem muito outros ainda):

Lendários
  • O livro do Jubileu
  • Epístola de Aristéias
  • O livro de Adão e Eva
  • O martírio de Isaías
Apocalípticos
  • 1 Enoque
  • Testamento dos doze patriarcas
  • O oráculo sibilino
  • Assunção de Moisés
  • 2 Enoque – ou – O livro dos segredos de Enoque
  • 2 Baruque – ou – O apocalipse siríaco de Baruque
  • 3 Baruque – ou – O apocalipse grego de Baruque
Didáticos
  • 3 Macabeus
  • 4 Macabeus
  • Pirque Abote
  • A história de Aicar
Poéticos
  • Salmos de Salomão
  • Salmo 151
Históricos
  • Fragmentos de uma obra de Sadoque

Os livros questionados por alguns – Antilegomena

A natureza dos antilegomena

Vimos na aula anterior como os 39 livros do Velho Testamento foram, de início, aceitos e reconhecidos como tendo autoridade divina pelo povo de Deus. Durante os séculos seguintes houve uma nova posição entre o povo judeu e alguns rabis resolveram pôr à prova alguns dos livros que anteriormente haviam tido sua autoridade reconhecida. Então, em vista deste livros uma vez na história tendo seu reconhecimento divino posto em dúvida, estes escritos recebem o nome de Antilegomena.

O número dos Antilegomena

Cântico dos cânticos, Ester, Provérbios, Eclesiastes e Ezequiel tiveram sua autoridade divina contestada em um ou outro tempo. Porém, no final, prevaleceu a canonicidade destes 5 livros.

è Cânticos dos cânticos – Alguns estudiosos da escola de Shammai (rabi Judeu) consideraram este livro sensual demais. Mas, para acabar com a controvérsia em torno deste livro e defender a canonicidade dele o rabi Akiva escreveu o seguinte:

“” Livre-nos Deus! Ninguém jamais em Israel criou controvérsia acerca do Cântico dos Cânticos, alegando não tornar imundas as mãos [i.e., não ser canônico];  todas as eras somadas não equivalem ao dia em que o Cântico dos Cânticos foi dado a Israel. Todos os Escritos são santos, mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos. “”

Quaisquer que tenham sido as dúvidas em relação à canonicidade deste livro, foram mal interpretadas. A pureza sexual, no casamento, foi exaltada por Deus neste livro. Deus deu o sexo aos seres humanos, para seu prazer, desde que realizado dentro dos parâmetros bíblicos. Cânticos dos cânticos nos dá este parâmetro.

  • Eclesiastes – Sua autoridade divina foi questionada por ser demasiadamente cético. Porém assim como com Cântico dos cânticos foi dada uma interpretação errônea de seus textos. Não tem nada a ver com sua autoridade divina. Cada uma destas observações aparentemente céticas tem como objetivo mostrar  que todas essas coisas, longe de Deus, são como correr atrás do vento. Basta ver a conclusão do livro: Ec. 12:13
  • Ester – Em virtude do não aparecimento do nome de Deus neste livro, sua canonicidade foi questionada. Porém podemos perceber que, durante o desenrolar da história, a mão de Deus esteve sempre presente, guardando e protegendo seu povo, no dia a dia, em cada detalhe. Outros estudiosos ainda dizem que a omissão do nome de Deus foi proposital, para impedir o plágio de outras nações, dando crédito a outros deuses.
  • Ezequiel – Novamente alguns estudiosos da escola de Shammai acharam que o livro de Ezequiel era anti-mosaico(contra a lei de Moisés), especialmente seus dez primeiros capítulos, que tinham uma tendência para o gnosticismo. Porém, se houvesse contradições com a Torá (Lei) o mesmo não poderia ter sido canonizado. Foi então, mais uma vez, uma questão de interpretação, não de inspiração.
  • Provérbios – O fato da dúvida em Provérbios se baseou no capítulo 26, dizendo que devemos responder ao tolo, isso ia contra alguns dos outros provérbios. O que houve, mais uma vez foi o erro de interpretação, pois existem momentos onde devemos responder, e outros momentos onde devemos nos calar.

Os livros aceitos por alguns – Apócrifos

O ponto com maiores divergências no cânon do Antigo Testamento está na aceitação, ou não, dos chamados livros apócrifos. São aceitos pelos católicos romanos e rejeitados pelos protestantes e judeus. Apocrypha em grego quer dizer oculto ou difícil de entender, mas depois tomou o sentido de esotérico. Desde a época da Reforma (séc. XVI) tem sido usado para descrever os escritos não-canônicos do período inter-testamentário.

A questão é: este livros eram ocultos a fim de serem preservados, pois sua mensagem era profunda; ou porque eram de confiabilidade duvidosa.

A natureza e número dos apócrifos do Velho Testamento

Há quinze livros chamados apócrifos, e preenchem a lacuna entre Malaquias e Mateus.

Gênero do livro Versão revista padrão Versão de Douai
Didático

Sabedoria de Salomão (c. 30 a.C.)

Eclesiástico (Siraque) (c. 132 a.C.)

O livros da sabedoria

Eclesiástico

Religioso Tobias (c. 200 a.C.) Tobias
Romance Judite (c. 150 a.C.) Judite
Histórico

1 Esdras (c. 150-100 a.C.)

1 Macabeus (c. 110 a.C.)

2 Macabeus (c. 110-70 a.C.)

3 Esdras*

1 Macabeus

2 Macabeus

Profético

Baruque (c. 150-50 a.C.)

Epístola de Jeremias (c. 300-100 a.C.)

2 Esdras (c. 100 a.C.)

Baruque 1-5

Baruque 6

4 Esdras**

Lendário

Adições a Ester (140-110 a.C.)

Oração de Azarias (Séc. I ou II a.C.)

Suzana (Séc. I ou II a.C.)

Bel e o dragão (c. 100 a.C.)

Oração de Manassés (Séc. I ou II a.C.)

Ester 10:4 – 16:24

Daniel 3:24-90*

Daniel 13**

Daniel 14**

Oração de Manassés*

*Livros não aceitos como canônicos no Concílio de Trento (1546).

** Livros não relacionados no sumário de Douai por estarem juntos com outros livros.

Argumentos a favor da aceitação dos apócrifos

Os protestantes e judeus aceitam que haja algum valor religioso ou histórico, porém não atribuem a estes livros nenhum valor canônico. Os católicos desde o concílio de Trento (1546) tem aceitos estes livros como inspirados por Deus.

Œ Alusões no Novo Testamento – O Novo Testamento registra alguns fatos e pensamentos. Por exemplo, Hebreus fala de mulheres que receberam seus mortos pela ressurreição (Hb. 11:35), e faz referência a 2 Macabeus 7 e 12. Os chamados pseudepígrafos também são citados (Jd. 14-15; 2 Tm 3:8)

 Emprego que o Novo Testamento faz da versão dos Septuagintas – A versão grega da bíblia hebraica chamava-se Septuaginta. Foi realizada em Alexandria. É a versão mais citada pelo Novo testamento e pelos cristãos primitivos. A septuaginta continha os apócrifos.

Ž Os mais antigos manuscritos completos da Bíblia – Os mais antigos manuscritos da Bíblia em grego contém os livros apócrifos inseridos entre os livros do Antigo Testamento.

 A arte cristã primitiva – Alguns dos registros da arte cristã primitiva refletem o uso dos apócrifos. Algumas gravuras feitas nas catacumbas se baseavam na história registrada no período inter testamentário.

 Os primeiros pais da Igreja – Alguns pais da Igreja, especialmente os do Ocidente, usaram os livros apócrifos em seu ensino.

‘ A influência de Agostinho – Ele influenciou os concílios da Igreja em Hipo (c. 393d.C.) e Cartago (c. 397 d.C.), que relacionaram os apócrifos como canônicos. A partir daí a Igreja Ocidental passou a usá-los em seu culto público.

’ O concílio de Trento – Em 1546, o concílio católico do Pós-Reforma, realizado em Trento, proclamou os livros apócrifos como canônicos. Desde então, a Igreja Católica passou a aceitar os apócrifos como detentores de autoridade divina e espiritual.

“ Uso não-católico – As  Bíblias protestantes logo após a Reforma continham os apócrifos. A Igreja Anglicana usa regularmente os apócrifos em seus cultos públicos, e também, as igrejas ortodoxas orientais tem uso comum e freqüente deste livros.

” Pergaminhos do Mar Morto – Os livros apócrifos foram encontrados entre os rolos do Mar Morto. Alguns inclusive escritos em hebraico, o que indica terem sido usados por judeus palestinos antes da época de Jesus.

Argumentos contra a aceitação dos apócrifos

Œ A autoridade do Novo Testamento – O NT jamais cita um livro apócrifo como sendo inspirado. Assim como há algumas menções a outros escritos fora da Bíblia, não quer dizer que a simples menção de trechos destes livros lhe atribuam alguma autoridade divina. O NT cita os limites da extensão do cânon do VT, excluindo os apócrifos (Aula 7).

 A tradução Septuaginta – O verdadeiro lugar do cânon hebraico era  a Palestina, não Alexandria. O centro grego do saber não tinha autoridade para determinar com precisão quais livros pertenciam ao cânon hebraico. O fato da Septuaginta conter os livros apócrifos apenas prova que os judeus alexandrinos traduziram os demais livros religiosos judaicos, do período inter-testamentário, para o grego. Não é sequer um fato comprovado que a LXX do século I contivesse os apócrifos. Os primeiros manuscritos gregos que os incluem datam do século IV d.C.

Ž Bíblia cristã primitiva – Os mais antigos manuscritos gregos datam do séc. IV e seguem a tradição da LXX, ou seja, contém os apócrifos.  Porém, devemos ressaltar que era simplesmente uma tradução e não o cânon hebraico. O NT faz menções à LXX, porém não vemos uma única referência aos livros apócrifos. Isto apenas mostra que este slivros eram aceitos apenas por alguns cristãos e não por toda comunidade cristã da época.

 A arte cristã primitiva – Isto nunca foi, e nem será base para reconhecermos a canonicidade de algum livro.

 Os primeiros pais da Igreja – Os pais da Igreja, anteriores a Agostinho, nunca aceitaram a canonicidade destes livros.

‘ O cânon de Agostinho – Agostinho não era isento de erros. Primeiramente, Agostinho supõe que os apócrifos tenham deutorocanonicidade (segundo cânon) e não canonicidade absoluta (Cidade de Deus 18,36). Além disso, os concílios de Hipo e de Cartago foram influenciados por Agostinho e nenhum especialista hebreu esteve presente nestes concílios. Jerônimo, que era o mais qualificado especialista hebreu rejeitou fortemente os apócrifos e chegou a recusar-se a traduzir estes para a linguagem latina (Vulgata). Só traduziu os apócrifos para o latim por pressão do Bispo de Roma. Só depois de sua morte é que os apócrifos foram incluídos na tradução Vulgata Latina.

’ O concílio de Trento – Foi um concílio realizado (1545-1563) para contra-atacar a Reforma Protestante que aconteceu em 1517. Uma das medidas para combater Lutero e os reformadores foi canonizar os livros apócrifos, já que Lutero os havia rejeitado.

“ Uso não-católico – O uso dos livros apócrifos entre as igrejas protestantes e anglicanas foi desigual. Ainda que igreja não católicas façam uso dos livros apócrifos, nunca foram atribuídos aos mesmos qualquer autoridade divina.

” Pergaminhos do Mar Morto – Foram achados além dos livros, comentários e manuais e em nenhum deste comentários e manuais se atribui valor canônico aos livros apócrifos. Podemos então presumir que a comunidade da época não considerava os livros apócrifos como canônicos.

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O desenvolvimento do cânon do Antigo Testamento

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

O desenvolvimento do canon do antigo testamento

O desenvolvimento do cânon do Antigo Testamento

A história da canonização da Bíblia é muito fascinante. À medida que Deus ia revelando sua palavra e o Espírito santo movendo seus profetas, nenhum deles tinha em mente como seu “capítulo” iria se encaixar no plano global do Senhor. E cada um destes capítulos nos mostra o grande amor de Deus pela humanidade e o plano maravilhoso da redenção, que só poderia vir de Deus que fez e sustenta todo universo.

Algumas distinções importantes

Os três passos mais importantes no processo de canonização

Há três elementos básicos no processo de canonização: a inspiração de Deus, o reconhecimento pelo povo de Deus e a coleção dos livros inspirados. A inspiração cabia ao próprio Deus, mas os dois passos seguintes, Deus os incumbiria a seu povo.

Inspiração de Deus – Deus deu o primeiro passo na canonização da Bíblia, quando ele mesmo os inspirou. O povo de Deus não teria como reconhecer a inspiração de um livro, se Deus mesmo não tivesse dotado os 39 livros que compõem o Velho Testamento, de autoridade divina.

Reconhecimento por parte do povo de Deus – Quando Deus dotava algum livro de autoridade, seu povo o reconhecia. Este reconhecimento ocorria imediatamente pela comunidade para a qual o livro foi destinado. Os escritos de Moisés foram reconhecidos em seus dias(êx. 24:3), como também os de Josué(Js. 24:26), os de Samuel(1 Sm. 10:25) e os de Jeremias(Dn. 9:2). Este reconhecimento seria confirmado pelos crentes do Novo Testamento e também por Jesus(Aula 3).

Coleção e preservação pelo povo de Deus – O povo de Deus colecionava e guardava sua Palavra. Os escritos de Moisés foram colocados na arca(Dt. 31:26). As palavras de Samuel foram colocadas num livro e o pôs perante o Senhor(1 Sm. 10:25). A lei de Moisés foi preservada no templo nos dias de Josias(2 Rs. 23:24). Daniel tinha uma coleção da lei de Moisés e dos profetas(Dn. 9:2; 6:13). Os crentes do Novo Testamento tinham toda escritura do Velho Testamento(2 Tm. 3:16), tanto a Lei como os Profetas(Mt. 5:17).

A diferença entre os livros canônicos e outros escritos religiosos

Apesar da importância que alguns livros tinham, assim como: Livro dos justos (Js. 10:13) e o Livro das Guerras do Senhor(Nm. 21:14), nem todos os escritos eram considerados canônicos.

Os livros apócrifos, escritos após o período do Velho Testamento (c. 400 a.C.), tinham seu valor religioso definido, porém jamais foram delimitadores da fé, doutrina e conduta cristãs, diferentemente dos escritos inspirados e dotados da autoridade divina, pois têm autoridade sobre os crentes.

Nenhum artigo de fé deve basear-se num livro não-canônico, não importando o valor religioso do mesmo.

A verdade transmitida pelos livros inspirados é que constitui o fundamento das verdades da fé.


A diferença ente canonização e categorização dos livros da Bíblia

Tem havido muita confusão quanto à data dos escritos sagrados e sua canonização. A quem defenda que a canonização foi modular. Ou seja, seguindo as datas das seções do Velho Testamento:

  • Lei (c. 400 a.C.)
  • Profetas (c. 200 a.C.)
  • Escritos (c. 100 a.C.)

Porém, algumas seções, assim como os Escritos foram reagrupados diversas vezes desde que foram redigidos e foram aceitos antes mesmo dessas datas e reagrupamentos, como veremos em breve.


Compilação Progressiva dos livros do Velho Testamento

A evidência da coleção progressiva dos livros proféticos

Desde o início, os escritos proféticos eram reunidos e guardados, tidos como inspirados e autorizados por Deus.

  • As leis de Moisés foram preservadas ao lado da arca da aliança (Dt. 31:24-26) e posteriormente no templo (2Rs. 22:8)
  • Josué acrescentou suas palavras no livro da lei de Deus(Js. 24:26)
  • Samuel informou o povo sobre os deveres do rei e escreveu em um livro e o pôs diante do Senhor(1 Sm. 10:25)
  • Ezequiel nos informa que havia um registro oficial de profetas e seus escritos no templo (Ez. 13:9)
  • Daniel refere-se aos livros que continham a “Lei de Moisés” e os “Profetas” (9:2,6,11)

Esta evidência de coleção progressiva dos escritos dos profetas se confirma pelo uso dos escritos dos profetas antigos feitos pelos profetas que viriam mais tarde.

  • Os livros de Moisés são citados por todo Velho Testamento. Desde Josué (1:7) até Malaquias (4:4)
  • Os livros de Reis citam a vida de Davi conforme narrada nos livros de Samuel
  • Crônicas faz uma revisão da história de Israel desde Gênesis até Reis, incluindo o elo genealógico mencionado apenas em Rute (1Cr. 2:12-13)
  • Neemias 9 resume a história de Israel conforme registro de Gênesis a Esdras
  • Há referências aos Provérbios de Salomão e ao Cântico dos cânticos em 1 Rs. 4:32
  • O profeta Jonas recita partes de muitos Salmos (Jn 2)
  • Ezequiel menciona Jó e Daniel (Ez. 14:14-20)

Nem todos os livros são citados em livros posteriores, porém há evidências suficientes para provarmos que existia uma coleção progressiva dos escritos considerados divinos e dotados de autoridade e inspiração.

A evidência da continuidade profética

Durante a coleção dos escritos proféticos, houve uma continuidade dos eventos e profecias narradas pelos seus autores. Os cinco primeiros livros da Bíblia foram escritos por Moisés. O próximo livro é o de Josué, porém vemos que o capítulo final de Deuteronômio narra a morte de Moisés. Por não ser um escrito profético, mas sim a narração de um fato da época, entendemos que não pode ter sido Moisés quem escreveu o final do livro de Deuteronômio. Provavelmente teria sido Josué, já que foi o sucessor de Moisés. E em seu livro o primeiro capítulo continua os eventos imediatos acontecidos após a morte de Moisés.(Js. 1:1).

Juízes retoma a narrativa de onde parou o livro de Josué. Porém este registro só se completou nos dias de Samuel, como podemos observar pela frase “Naqueles dias não havia rei em Israel” (Jz. 17:6;18:1;19:1;21:25). Depois disso a continuidade profética se estabeleceu com a criação de uma escola de profetas dirigida por Samuel(1 Sm. 19:20). Desta escola sairiam vários livros que cobririam a história do povo de Israel e Judá no período dos reis e profetas. Vejamos:

  • A história de Davi foi escrita por Samuel (1 Sm.), por Natã e por Gade (1 Cr. 29:29)
  • A história de Salomão foi escrita por Natã, Aías e Ido (2 Cr. 9:29)
  • Os atos de Roboão foram escritos por Semaías e Ido (2 Cr. 12:15)
  • A história de Abias foi acrescentada pelo profeta Ido (2 Cr. 13:22)
  • A história do reinado de Josafá  foi registrada pelo profeta Jeú (2 Cr. 20:34)
  • A história do reinado de Ezequias foi registrada por Isaías (2 Cr. 32:32)
  • A história do reinando de Manassés foi registrada por profetas anônimos (2 Cr. 33:19)
  • Os demais reis também tiveram suas histórias registradas pelos profetas (2 Cr. 35:27)

Podemos perceber que os livros de Samuel, Reis e Crônicas não são idênticos aos livros mencionados acima. Nos parece que os livros do cânon do Velho Testamento são pequenos textos tirados de narrativas mais longas, como demonstra a frase “e os demais atos” do rei tal estão escritos no livro tal do profeta tal, isso demonstra claramente a sucessão profética iniciada por Samuel.

Notem que não houve menção a Jeremias, mesmo escrevendo antes e durante o exílio, ter escrito uma dessas histórias. Porém, Jeremias era um profeta, historiador e escritor, como claramente afirma em várias ocasiões: Jr. 30:2 – Jr. 36:1-2 – Jr. 45:1-2 – Jr. 51:60-63.

Podemos verificar que o último capítulo de 2 Reis corresponde aos capítulos 52, 39, 40 e 41.

Estes são indícios de que ele era responsável por ambos os livros. Mais tarde, no exílio, disse ter acesso aos livros de Moisés e dos profetas. Menciona não só Jeremias, mas também cita a predição do cativeiro no capítulo 25 (Dn. 9:2,6,11). Com base nisso é razoável supor que os resumos dos escritos proféticos tenha tomado a forma dos livros dos Reis. Desta forma, a continuidade profética a partir de Moisés, Josué e Samuel se completaria com as obras de Jeremias.

Durante o exílio, Daniel e Ezequiel continuaram o ministério profético. Ezequiel reconheceu um registro oficial de profetas nos arquivos do templo(Ez. 13:9). Ezequiel se referiu a Daniel como um “notável servo de Deus”(Ez. 14:14-20). Visto que Daniel possuía cópia dos livros de Moisés e dos profetas, dos quais o livro de Jeremias, podemos presumir razoavelmente que a comunidade judaica no exílio babilônico possuía os livros de Gênesis a Daniel.

Depois do exílio, Esdras volto da Babilônia levando consigo os livros de Moisés e dos profetas(Ed. 6:18 – Ne. 9:14,26-30). Nos livros de Crônicas sem dúvida ele registrou seu relato sacerdotal da história de Judá e do templo (Ne. 12:23). Crônicas está ligado a Esdras-Neemias pela repetição do último versículo de um, como o primeiro versículo do outro.

Com Neemias completa-se a cronologia profética. Cada profeta, desde Moisés até Neemias contribuiu para a crescente coleção de livros, que foi preservada pela comunidade dos profetas a partir de Samuel.

Até agora não existem evidências de que outros livros, houvessem alcançado canonização depois dessa época (c. 400 a.C.)

A evidência de que o cânon do Velho Testamento se concluiu com os profetas

Vimos que toda Escritura hebraica havia sido colecionada ao longo dos anos pelos profetas que Deus havia levantado.

Vimos também que houve continuidade nestes escritos. Cada novo profeta se apoiava na autoridade dos escritos do profeta anterior e juntava seus escritos aos escritos anteriores.

Na época de Neemias (c. 400 a.C.), os profetas já haviam produzido todo cânon hebraico, ou seja, os 24 livros que compõem a Bíblia hebraica.

O Novo Testamento cita praticamente todos os livros do cânon hebraico sem fazer menção a nenhum livro posterior a Malaquias.

Jesus parece colocar parâmetros no cânon do Velho Testamento, quando em Mt. 23:35 faz menção ao sangue de Abel, citando o livro de Gênesis, e mencionando o sangue de Zacarias(filho do sacerdote Joiada), citando o livro de 2 Crônicas (24:20-22), último livro do cânon hebraico.

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As características da canonicidade

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

A formação da Bíblia

A partir desta lição e nas próximas vamos estudar sobre o processo formação da Bíblia. Por que temos 66 livros na Bíblia, e quanto aos livros apócrifos? A canonicidade vai tratar disto.

A inspiração é meio pelo a Bíblia recebeu sua autoridade; a canonização é o processo pelo qual a Bíblia recebeu sua aceitação definitiva.

Definição de canonicidade

A palavra cânon deriva do grego kanōn (“cana, régua”), que por sua vez vem do hebraico kaneh, que significa vara de medir (Ez. 40:3). Era usada antes do cristianismo de modo mais amplo com o sentido de padrão ou norma. O Novo Testamento emprega o termo em sentido figurado referindo-se a padrão ou regra de conduta. (Gl. 6:16).

Emprego da palavra “cânon” pela Igreja Primitiva

No começo do cristianismo, a palavra cânon significava “regra” de fé ou Escrituras autorizadas. O conceito de cânon, como o conhecemos hoje, estava em desenvolvimento na época de Atanásio (c. 350 d.C.).

Temos dois sentidos para a palavra cânon:

  •  Ativo: a Bíblia é o livro pelo qual tudo mais deve ser julgado.
  • Passivo: Significava a regra que um escrito deveria ter para ser considerado inspirado ou tendo autoridade.

Alguns sinônimos de canonicidade

A existência de um cânon (ou escritos autorizados) antecede o uso da palavra cânon.

  • Escrituras Sagradas – É um dos mais antigos conceitos de cânon. Os escritos de Moisés eram guardados ao lado da Arca da Aliança (Dt. 31:24-26). Depois de o templo ter sido edificado, este escritos foram guardados em seu interior. A consideração que estes livros receberam provam que eram considerados canônicos, ou sagrados.
  • Escritos autorizados – A autoridade dos escritos de Moisés foi reforçada perante Josué e o povo de Israel (Js. 1:8). Todos os reis de Israel foram alertados a este respeito. (Dt. 17:18-19). Visto que estes livros vieram de Deus, são dotados de autoridade, logo, eram canônicos, isto é, normativos, para o israelita.
  • Livros que mancham as mãos – No ensino de Israel  havia surgido um conceito de livros tão sagrados que manchavam as mãos. Assim diz o Talmude: “Os evangelhos e livros dos hereges não mancham as mãos; os livros de Ben Sira e quaisquer outros livros que tenham sido escritos desde sua época não são canônicos”. Ao contrário, os livros do Antigo Testamento hebraico “sujam” as mãos. Assim, qualquer livro que não precisasse uma cerimônia de purificação não era considerado canônico, ou sagrado.
  • Livros proféticos – Como estudamos anteriormente (Aula 3) um livro só era considerado inspirado se tivesse sido escrito por um profeta. As obras dos falsos profetas era rejeitada. Segundo Josefo, somente os livros escritos compreendidos entre os períodos de Moisés até o rei Artaxerxes, podiam ser canônicos. Assim se expressou Josefo: “Desde Artaxerxes até nossa época tudo tem sido registrado, mas nada foi considerado digno do mesmo crédito das obras do passado, visto que a sucessão exata dos profetas cessou”. Ou seja, o que Josefo quis dizer foi que são considerados canônicos apenas os livros de Moisés até Malaquias.  O talmude faz a mesma afirmação: “Até esta altura [Séc. IV a.C. ] os profetas profetizavam mediante o Espírito Santo, a partir desta época inclinai vossos ouvidos e ouvi as palavras dos sábios”. Portanto para ser canônico, qualquer livro do Velho Testamento deveria vir de uma sucessão profética, durante o período profético.

A determinação da canonicidade

Veremos algumas considerações que nos ajudarão a esclarecer o que significa Escrituras canônicas.

Alguns conceitos deficientes sobre o que determina a canonicidade

Foram apresentadas várias opiniões e teorias sobre o que deve determinar a canonicidade de um escrito. Essas posições muitas vezes confundem as regras nas quais o crente deve se basear para descobrir se um escrito é inspirado (sentido passivo da palavra cânon), com os cânones dos Escritos que foram descobertos (sentido ativo da palavra cânon). Vamos examinar cada uma destas teorias.

A teoria de que a idade determina a canonicidade – Esta teoria está incorreta por duas razões:

  • Livros antiquíssimos, como o Livro das guerras do Senhor e o Livro dos justos (Js. 10:13 e Nm. 21:14) não foram aceitos no cânon
  • Há evidencias de que os livros canônicos foram aceitos logo após terem sido escritos, e não depois de terem envelhecido. É o caso dos livros de Moisés (Dt. 31:24-26), de Jeremias (Dn 9:2) e dos escritos do Novo Testamento produzidos por Paulo (2 Pe. 3:16).

A teoria de que a língua hebraica determina a canonicidade – Esta teoria também é insatisfatória, pois alguns livros escritos em Hebraico não foram aceitos no cânon, como é o caso dos livros apócrifos e outros documentos antigos, como visto acima. Além disso, há partes de alguns livros aceitos no cânon que foram redigidos em aramaico:

  • Daniel 2:4b;a 7:28
  • Esdras 4:8 a 6:18 e 7:12-26

A teoria de que a concordância com a Torá determina sua canonicidade – É outra visão errônea de canonicidade. É óbvio dizer que se um escrito discordava da Torá o mesmo não poderia ser considerado canônico, pois Deus não pode se contradizer em suas palavras. Esta teoria não considera duas questões muito importantes:

  • Não era a Torá que determinava a canonicidade dos escritos que lhe sucederam. Pelo contrário, o fator que determinou a canonicidade da Torá seria o mesmo que determinaria a canonicidade de qualquer escrito posterior à Torá.
  • Esta teoria é muito generalizante, pois muitos outros escritos que concordavam com a Torá não foram aceitos no Cânon. É o caso do Talmude, embora concordando em tudo com a Torá os judeus não o consideram inspirado.

A teoria de que o valor religioso determina sua canonicidade – Mais uma vez é óbvio dizer que se um livro não possui algum valor religioso não deve ser considerado canônico. Porém esta teoria faz confusão entre causa e efeito. Não é o valor de um livro que determina sua autoridade divina, mas a autoridade divina é que determina seu valor.

A canonicidade é determinada pela inspiração

Os livros da Bíblia não são valiosos por se haver descoberto nelas algum valor. Antes sim, são valiosos porque vieram de Deus. É a inspiração de Deus que concede a um livro sua autoridade. Deus revela, e seu povo reconhece o que o Senhor revelou. A canonicidade é determina por deus e descoberta pelos homens de Deus. Dizer que o povo de Deus, por meio de quaisquer regras estabelecidas pode dar canonicidade a um livro só confunde a questão. Só Deus pode dar autoridade a seus escritos. Então, com relação à Bíblia, devemos aplicar o sentido ativo da palavra cânon; ou seja, a Bíblia é a norma que governa nossa fé.

A descoberta da canonicidade

Como alguém poderia reconhecer um escrito canônico só por vê-lo? Quais são as características que diferenciam uma declaração de Deus de meros escritos humanos? Vários critérios foram adotados neste processo de reconhecimento.

Os princípios de descoberta da canonicidade

Sempre houveram falsos ensinos e escritos na vida da Igreja. Foi necessário muitas vezes que a Igreja revisse a sua coleção de livros sagrados. Até mesmo os livros aceitos por outros crentes foram posteriormente questionados. Cinco critérios são aplicados ao processo de canonicidade:

  • O livro é autorizado – afirma vir da parte de Deus?
  • É profético – foi escrito por um servo de Deus?
  • É digno de confiança – fala a verdade acerca de Deus, do homem, etc.?
  • É dinâmico – possui o poder de Deus que transforma vidas?
  • É aceito pelo povo de Deus, para o qual foi originariamente escrito – é reconhecido como vindo de Deus?

A autoridade de um livro – Como vimos em aulas anteriores(aulas 3 e 4), todos os livros trazem consigo a reivindicação de autoridade divina.

  • A expressão “Assim diz o Senhor”, está freqüentemente presente.
  • O tom e as exortações revelam a natureza divina.
  • Nos livros de ensino existe a declaração divina do que os crentes devem fazer.
  • Nos livros históricos, através do que Deus tem feito na história do seu povo, o ensino fica implícito.

Se faltasse a um livro a autoridade divina, este era considerado não canônico, não sendo, portanto, incluído no cânon sagrado.

Alguns livros não tinham a reivindicação divina, por isso foram rejeitados. Talvez fosse o caso do Livro das guerras do Senhor e o Livro dos justos.

Outros livros foram provados e questionados quanto à sua autoridade divina, mas por fim foram aceitos no cânon sagrado. É o caso de Ester. Estudando cuidadosamente o livro, viram o cuidado e proteção de Deus com seu povo.

A autoria profética de um livro – Os livros da Bíblia só foram produzidos pela atuação do Espírito Santo que moveu alguns homens, conhecidos como profetas (2 Pe. 1:20-21). Todos os escritores da Bíblia tinham um dom profético, ou uma função profética, ainda que não fossem profetas por ocupação (Hb. 1:1).  Paulo dizia aos Gálatas que suas cartas deveriam ser aceitas, pois ele era apóstolo de Cristo. Suas cartas deveriam ser aceitas, pois foi o próprio Deus quem havia revelado. Se os escritos viessem de outra pessoa que não fosse nomeado por Deus deveriam ser rejeitadas. (Gl. 1). As advertências de João se enquadram neste mesma situação, pois ele adverte que devemos julgar os espíritos, se procedem de Deus. (1 Jo. 2:18-19 e 4:1-3).

Foi por causa deste princípio que a segunda carta da apóstolo Pedro, inicialmente foi rejeitada por alguns pais da Igreja primitiva. Enquanto todos não ficaram plenamente convencidos de que se tratava ter realmente vinda do apóstolo, não foi inclusa no cânon cristão.

A confiabilidade de um livro – Outra característica da inspiração é um livro ser digno de crédito. Todo livro que contenha erros doutrinários, não pode ser um livro inspirado. Deus não pode mentir, então sua palavra deve ser, e é, a verdade, com coerência. Os crentes de Beréia, neste aspecto, foram louvados, pois eles verificavam nas escrituras (Velho Testamento) se o que o apóstolo Paulo estava ensinando era realmente verdade e estava em acordo com os escritos anteriores. (At. 17:11). O mero fato de um escrito estar em concordância com escritos anteriores não quer dizer que o mesmo seja inspirado. Porém, entrar em contradição com escritos anteriores, já quebra o vínculo da credibilidade.

Grande parte dos livros apócrifos não foi aceita no cânon por não passar pelo crivo da confiabilidade. Seus erros históricos e doutrinários fizeram com que fosse impossível aceitá-los como inspirados. Não há como um livro vir de Deus e apresentar erros.

A carta do apóstolo Tiago também passou pela dúvida inicial, pois aparentemente apresentava discordância com a salvação pela graça(justificação pela fé) apresentada por Paulo.

Outros questionaram a carta de Judas, pela menção de escritos não confiáveis. Desde que ficasse claro que Judas estava apenas citando estes livros, e não atribuindo a eles nenhuma legitimidade divina, assim como Paulo citou poetas não cristãos (At. 17:28 e Tt. 1:12) não havia razão para deixar a carta de Judas fora do cânon cristão.

A natureza dinâmica de um livro –  O quarto teste de canonicidade, às vezes um mais implícito que os demais, era a capacidade transformadora do livro. Hebreus nos diz que a palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4:12). O resultado é que ela pode nos ensinar, corrigir e instruir em justiça (2 Tm 3:16-17). Em outro texto o apóstolo Pedro nos diz sobre o poder de evangelização e edificação da palavra de Deus (1 Pe. 1:23; 2:2). Outros livros e mensagens foram rejeitados porque apresentavam falsas esperanças (1 Rs. 22:6-8) ou traziam alarmes falsos (2 Ts. 2:2). Desta forma, não conduziam o crente ao crescimento na verdade de Jesus Cristo. Jesus disse: “Vocês conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” (Jo. 8:32). O falso ensino jamais liberta.

Alguns livros da Bíblia, como o Cântico dos cânticos e Eclesiastes, foram questionados por alguns estudiosos os julgarem isentos deste poder dinâmico. Então se convenceram que Eclesiastes não é um livro cético ou pessimista, mas positivo e edificante (12:9-10) e Cântico dos cânticos não era sensual, mas também profundamente espiritual que mostra o verdadeiro amor que é criação de Deus.

A aceitação de um livro – A marca final da inspiração divina era a aceitação pela comunidade da Igreja. A palavra de Deus transmitida deve ser reconhecida pelo seu povo. Como o sistema de transportes e comunicações na época da Igreja Primitiva era muito lento, demorou-se muitos anos para a determinação da canonicidade. Os livros de Moisés foram imediatamente aceitos pelo povo de Deus (aula 3). Foram citados, copiados, preservados e até mesmo impostos para as novas gerações. As cartas de Paulo foram imediatamente recebidas pelas igrejas às quais foram destinadas (1Ts. 2:13) e até pelos demais apóstolos (2 Pe. 3:16). Alguns escritos foram imediatamente rejeitados  pelo povo de Deus, por não apresentarem a autoridade divina (2 Ts. 2:2). Os falsos profetas deveriam ser testados e rejeitados (1 Jo. 4:1-3).

Este principio levou alguns estudiosos a questionar certos livros da Bíblia, como 2 e 3 João. São de natureza particular e circulação restrita, então houve certa relutância em aceitá-los, até que todos tivessem absoluta certeza de que tais livros haviam sido recebidos pelo povo de Deus do século I como cartas do apóstolo João.

Haviam pessoas que não reconheciam , muitas vezes, um profeta como vindo da parte de Deus. Neste caso, Deus mesmo vinha em favor de seus servos, confirmando sua vocação. Foi o caso de Elias, o caso de Moisés.

O papel do povo de Deus foi decisivo para a criação do cânon cristão. Deus mesmo deu autoridade sobre todos os seus escritos, porém o povo de Deus também havia sido chamado para a tarefa de descobrir quais eram os livros dotados da autoridade divina e quais eram falsos.

O procedimento para a descoberta da canonicidade

No processo de descoberta da canonicidade dos livros da Bíblia, não devemos imaginar os pais da Igreja andando pelos corredores com pilhas e pilhas de documentos ou debruçados sobre mesas ao longo do dia e da noite. O processo foi muito natural e dinâmico. Veremos mais tarde a história real de como aconteceu a descoberta dos livros inspirados por Deus. O objetivo nesta aula é avaliar como estas cinco regras foram usadas no processo de canonização.

Alguns princípios estão apenas implícitos no processo – Nem todos os cinco elementos estavam presentes na determinação da autoridade (ou não) de um livro. Nem sempre parecia óbvio à Igreja que um livro fosse “dinâmico” e “autorizado”, porém poderiam ser considerados “profético” e “aceito”. No entanto, poderia acontecer ao contrário, talvez sua autoria não fosse conhecida (ex. Hebreus), porém, o poder e a autoridade saltavam aos olhos. De qualquer maneira, durante todo o processo, os cinco elementos se faziam presentes em todos os livros que foram aceitos no cânon cristão, mesmo que alguns estivessem aplicados de modo implícito.

Alguns princípios atuavam de modo negativo no processo – Algumas regras utilizadas no processo de descoberta da canonicidade atuavam de modo mais negativo que outras.

Por exemplo, o principio da confiabilidade eliminava mais rapidamente os escritos não-canônicos, porém não tinham a mesma rapidez para determinar os canônicos. Não existem falsos ensinos que sejam canônicos, porém existem escritos que falam a verdade mas não são de modo alguns inspirados.

De igual modo, existem livros apócrifos que clamam por serem inspirados, mas nenhum livro pode ser canônico se não for revestido da autoridade de Deus.

O principio da aceitação é principalmente negativa. Nem sempre quando um livro recebe aceitação significa que o mesmo seja inspirado. Mais uma vez temos o exemplo dos livros apócrifos; muitos anos depois da aceitação dos livros inspirados, algumas pessoas mal-informadas, atribuíram reconhecimento temporal a estes escritos. O simples fato de algum escrito ter sido aceito em algum lugar, não dá autoridade divina a este escrito. A aceitação inicial dos cristãos do século I tem fundamental importância para testar a autoridade divina de um livro. Ou seja, a aceitação posterior por parte de outros cristãos era importante, mas funcionava apenas como apoio adicional e não como fator fundamental.

O princípio realmente essencial substitui todos os demais princípios – Na base de todo processo de canonização está o princípio da natureza profética do livro. Se um livro foi escrito por um profeta honrado e prestigiado de Deus, nem há a necessidade de formular as demais perguntas. Porém, quando não havia confirmação direta da vocação desta profeta, e nem sempre havia mesmo (Ex. 4:1-9), então a confiabilidade, a dinâmica do livro e sua aceitação pelo povo de Deus seria elemento essencial para determinação de sua inspiração divina. Nenhum livro de Deus pode ser falso, desta forma os outros quatro princípios se aplicam para conferir o caráter profético dos livros da cânon.

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Evidências da inspiração da Bíblia

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

A inspiração da Bíblia

A inspiração da Bíblia

Os cristãos ao longo dos séculos têm sido desafiados a provar sua fé, apresentar as razões em defesa desta fé. (1 Pe. 3:15). Vamos então estudar as evidências da inspiração da Bíblia e o  apoio à doutrina bíblica da inspiração.

Resumo da reivindicação a favor da inspiração da Bíblia

Explicação bíblica da inspiração

Não devemos confundir a inspiração da Bíblia com a inspiração poética. A inspiração da Bíblia diz respeito à autoridade dada por Deus para a Bíblia.

A palavra que usamos para descrever inspiração significa “soprado por Deus”. É o processo no qual as Escrituras foram revestidas com a autoridade de Deus (2 Tm. 3:16-17).

A inspiração, como processo total, é o fenômeno sobrenatural, no qual homens movidos pelo Espírito Santo registraram mensagens sopradas por Deus.

Existem três elementos neste processo total de inspiração (Aulas 1 e 2):

  • Causa divina – Deus teve desejo de se comunicar com o homem.
  • Mediação profética – Homens movidos pelo espírito Santo registraram essa mensagem vinda de Deus.
  • Autoridade resultante que reveste o documento – A mensagem profética escrita foi revestida de autoridade, vinda de Deus.

A primeira característica da inspiração, por ela ser escrita, é uma inspiração verbal. Os profetas não foram simples robôs usados por Deus, mas cada um, no seu estilo, registrou as palavras dirigidos pelo Espírito Santo.

Outra característica da inspiração é a totalidade desta inspiração, ou seja, a inspiração é plenária, nenhum trecho foge à inspiração divina.

Além disso a inspiração é inerrante, tudo quanto Deus disse é verdadeiro e isento de erros.

A reivindicação da Bíblia quanto à sua inspiração

Não são os cristãos que atribuem à Bíblia inspiração divina, mas sim a própria Bíblia atribui a si mesma esta inspiração (Aulas 3 e 4) .

A reivindicação da inspiração do Antigo Testamento – O Velho Testamento afirma ser um documento com mensagem profética. As profecias que vinham de Deus, foram guardadas nas Escrituras e posteriormente cumpridas. A expressão “Assim diz o Senhor” enche suas páginas. Jesus e os autores do Novo Testamento, atestaram com toda a força e convicção a certeza da inspiração divina do Velho Testamento.

A reivindicação da inspiração do Novo Testamento – Os escritos apostólicos, foram citados, da mesma forma que o Antigo Testamento, sendo divinamente inspirados. Cada livro do Novo Testamento reivindica inspiração divina. Cada escritor do Novo Testamento faz referência aos escritos de outros autores como sendo inspirados. A Igreja Primitiva copiava e guardava estes escritos apostólicos juntamente com o Velho Testamento. Os pais da Igreja Primitiva, os quais eram sábios, mestres ou professores, atestaram a inspiração divina destes escritos. Podemos verificar que desde a fundação da Igreja a Bíblia tem sido reconhecida como a mensagem de Deus para os homens.

Apoio à reivindicação bíblica de inspiração

Durante os séculos os cristãos têm tido duas posturas quanto à inspiração bíblica:

  • Alguns transformaram o cristianismo num sistema totalmente racional
  • Outros afirmam crer justamente por ser “absurdo”

Porém os verdadeiros apologistas (defensores da fé) cristãos têm dado “a razão da esperança que há neles”. (1 Pe. 3:15)

Abaixo estudaremos uma síntese das evidências da doutrina da inspiração.

Evidência interna da inspiração da Bíblia

Há dois tipos de evidências que devemos levar em conta no que diz respeito à inspiração da Bíblia:

  • A que existe dentro da própria Bíblia (Interna).
  • A que surge fora da Bíblia (Externa).

A evidência da autoridade que se auto confirma – A Bíblia diz que  Jesus ensinava com autoridade(Mc. 1:22) e de modo semelhante a expressão contida no Velho Testamento “Assim diz o Senhor”, fala por si mesma. As palavras da Bíblia não precisam ser defendidas, precisam apenas ser ouvidas. Podemos comparar com um leão: a melhor maneira de o leão provar sua autoridade é solta-lo da jaula onde está. Da mesma maneira, a Bíblia. Seus ensinos precisam apenas ser expostos, pois a Bíblia fala por si mesma.

A evidência do testemunho do Espírito Santo – Está intimamente relacionada com a autoridade da própria Bíblia.  A Palavra de Deus se confirma na vida do crente pelo Espírito Santo. O mesmo Espirito Santo que moveu homens a registrar as palavras de Deus é o mesmo que nos ilumina a entender a Bíblia. (1 Co. 2:14), é o mesmo Espírito Santo que afirma que a Bíblia é a Palavra de Deus (2 Pe. 1:20-21). Desta forma a Bíblia recebe confirmação do Espírito Santo.

A evidência da capacidade transformadora da Bíblia – Outra evidência interna é a capacidade que a Bíblia tem de edificar, exortar, corrigir e mudar a vida de quem a lê. Assim diz Hebreus : “A Palavra de Deus é viva e eficaz mais penetrante do espada alguma de dois gumes…” (4:12). Muitos têm sido curados pela Palavra. A evidência de que Deus deu autoridade à Bíblia está em seu poder edificante e evangelístico.

A evidência da unidade da Bíblia – A Bíblia foi escrita ao longo de 1500 anos, por cerca de 40 autores. É constituída de 66 livros, escritos em diversas línguas. Não pode ser mero acidente que, dado este contexto, a Bíblia apresenta o mesmo assunto: Jesus Cristo. A Bíblia afirma que existe um problema: o pecado, e uma solução: Jesus Cristo. Este único assunto unifica toda a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. Seria impossível que alguém tramasse um plano para escrever um livro desta natureza, pois seria como se vários autores escrevessem um capítulo da novela, sem ao menos saber o enredo todo, e no final os capítulos escritos por todos estes autores fizessem algum sentido na mesma estória! O fato da Bíblia ter sido escrita por homens não invalida a autoridade divina e a inspiração a ela atribuída.

Evidência externa da inspiração da Bíblia

A evidência interna se baseia unicamente na experiência do crente, pois alguém que está fora do cristianismo não pode sentir o testemunho do Espírito Santo, ou ouvir a voz de Deus, exceto claro, pela última evidência, que é palpável a todos que examinam a Palavra. ë neste ponto que entra a evidência externa, pois funciona como sinais que conduzem ao “interior” da verdadeira vida cristã.

A evidência baseada na historicidade da Bíblia – Grande parte do conteúdo da Bíblia é história, e por isso mesmo pode ser comprovado. Nos últimos tempos os arqueólogos têm descoberto milhares de objetos que datam dos tempos do Velho Testamento, e nenhuma destas descobertas invalidou quaisquer relatos ou ensinos bíblicos. É bem verdade que nenhuma destas descobertas históricas representam evidência direta de alguma afirmação espiritual feita pela Bíblia. Porém, sua historicidade confere credibilidade às suas declarações e ensinos. Assim como disse Jesus: “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo. 3:12).

A evidência do testemunho de Cristo – O testemunho de Cristo está relacionado à historicidade dos documentos do Novo Testamento. Estes documentos nos fornecem todo ensino de Cristo, que tinha autoridade para isso. Como já foi provado que Jesus realmente existiu, e um de seus ensinos foi a autoridade e inspiração divinas, logo concluímos que realmente, pelo testemunho de Cristo, a Bíblia é realmente inspirada por Deus. Se alguém realmente achar que isto é falso deverá provar que Jesus não existiu e que Jesus não tinha autoridade.

A evidência da Profecia – Outro testemunho externo de grande força são as profecias cumpridas que a Bíblia registra. Algumas feitas centenas de anos antes de se cumprirem, se concretizaram literalmente. A época do nascimento e morte de Jesus (Dn. 9:25-26). Outras profecias como a da explosão da comunicação e conhecimento (Dn 12:4), a da repatriação de Israel e repovoamento da Palestina (Is. 61:4), estão sendo cumpridas em nossos dias.

A evidência da influência da Bíblia – Nenhum outro livro no mundo, em qualquer que seja a época tem sido mais traduzido. Nenhum outro livro tem exercido tamanha influência sobre o curso dos acontecimentos. Tem influenciado governos, pessoas, entidades, pensamentos. Nenhum outro livro foi, e é objeto de tantos estudos e descobertas. É o livro mais vendido de todos os tempos. Na verdade, nenhuma outra obra religiosa exerce o papel moral que a Bíblia desempenha e nenhuma outra obra apresenta um conceito tão majestoso de Deus e de seu amor.

A evidência da indestrutibilidade da Bíblia – Mesmo com toda a sua influência e importância, ou então por causa disso, a Bíblia tem sido muito atacada em todos os tempos. O imperador Diocleciano tentou destruí-la, porém hoje é o livro mais impresso e vendido do mundo. Ainda hoje historiadores, psicólogos, humanistas têm tentado desautoriza-la, contradizê-la, mas a Bíblia permanece indestrutível. Na idade média era comum queimar Bíblias para que o povo comum não a lesse, mas como comprovamos de nada adiantaram e de nada adiantarão as tentativas para fazer calar o livro vivo, a Palavra de Deus. “Passarão céus e terra, mas as minhas palavras jamais passarão” (Mc. 13:31)

A evidência vinda da integridade de seus autores humanos – Não existem razões sólidas para não considerarmos os escritores da Bíblia dignos de crédito. Uma vez que eles morreram por causa da fé que abraçaram, morreram acreditando no que haviam escrito, pois tinham dito ter recebido do próprio Deus. Como fazer para não acreditar que mais de quinhentas pessoas haviam visto a Jesus ressurreto que reivindicam a autoridade divina da Bíblia? (1 Co. 15:6). Se alguém crer que estavam todos intoxicados ou padecendo de algum surto psicótico isso viola a própria credulidade e lógica humana. O fato é que eram todos sadios, de reconhecida integridade moral e reivindicam a inspiração divina da Bíblia, não há motivos para não darmos crédito a eles. Isto constitui uma importante evidência da autoridade e inspiração divina da Bíblia.

Estes argumentos podem satisfazer um incrédulo? Estes argumentos são infalíveis? Não claro que não. Pois até um filósofo amador poderia contra argumentar diante destes fatos.

O leitor deve tomar sua decisão. E para aqueles que têm a tendência à indecisão, fica o lembrete do apóstolo Pedro a todos nós : “Senhor, para quem iremos nós? Só tu tens as palavras de vida eterna” (Jo. 6:68). Agora se não crermos que a Bíblia é mesmo inspirada por Deus, a quem nos dirigiremos? É nela que encontramos as palavras de vida eterna.

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A inspiração do Novo Testamento

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

A inspiração do Novo Testamento

O Novo Testamento reivindica inspiração divina

Temos 2 fatores que comprovam a inspiração do Novo Testamento:

  • A promessa de Jesus de que o Espírito Santo guiaria os discípulos a toda verdade.
  • Cumprimento disso no ensino apostólico e nos escritos do Novo Testamento.

A promessa de Jesus a respeito da inspiração

Jesus nunca escreveu um livro. Porém confirmou a autoridade divina do Antigo Testamento (Aula passada) e deu promessas sobre a autoridade e inspiração do Novo Testamento.

A comissão dos doze – Quando Jesus enviou os doze, prometeu a direção do Espírito Santo (Mt. 10:19-20; Lc. 12:11-12). A proclamação que os discípulos fizessem de Jesus, viria do Espírito Santo.

O envio dos setenta – Esta promessa não se limitava aos Doze. Jesus deu a cada um autoridade dele mesmo (Lc. 10:16)

O sermão do Monte das Oliveiras – Jesus reafirmou a promessa de que o Espírito Santo falaria por meio dos seus discípulos.(Mc. 13:11)

Os ensinos durante a última ceia – A promessa da orientação do Espírito Santo fica mais clara aqui (Jo. 14:26). Por isso Jesus não escreveu seus ensinos, pois o Espírito Santo faria com que os seus discípulos se lembrassem de tudo o que Jesus ensinara. E temos também promessa de que o Espírito os guiaria a toda verdade. (Jo. 16:13)

A grande comissão – Quando Jesus enviou seus discípulos fez-lhes também a promessa de que teriam toda autoridade nos céus e na terra. (Mt. 28:19-20). A palavra dos discípulos seria a Palavra de Deus.

A promessa de Jesus reivindicada pelos discípulos

Os discípulos não se esqueceram da promessa de Cristo. Eles pediram que seus ensinos tivessem a autoridade de Deus para continuarem a realizar o que Jesus realizara.

A afirmação de estarem dando prosseguimento ao ensino de Jesus – Lucas diz que apresentou um relato exato de tudo quanto Jesus fez e ensinou em  seu evangelho. Em Atos ele dá a entender que Jesus continuou a fazer por meio dos apóstolos. (At. 1:1; Lc. 1:3-4). A Igreja estava baseada no ensino dos apóstolos (At. 2:42). Até os ensinos de Paulo que vinham diretamente de Deus(Gl. 1:11-12), passava pela aprovação dos apóstolos (At. 15). A Igreja foi edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef. 2:20; 3:5)

Não existe ensino apostólico nos dias de hoje – O Novo Testamento é o único registro autêntico de ensino apostólico que temos. O apóstolo deveria ser testemunha ocular do ministério e ressurreição de Jesus (At. 1:21-22), isso elimina a sucessão apostólica nos dias de hoje que não passaria do século I. O fato de não existir ensino apostólico nos dias de hoje limita todo ensino apostólico ao Novo testamento. Disto temos que apenas o Novo Testamento pode reivindicar para si a natureza de autoridade dos ensinos de Cristo.

Comparação entre o Novo e o Velho Testamento – Temos, por enquanto, dois indícios da inspiração do Novo testamento:

  • A promessa de Cristo, de que o Espírito Santo inspiraria os apóstolos.
  • Comparação direta com o Velho Testamento.

Paulo reconhecia claramente a autoridade do Velho Testamento (2 Tm. 3:16) – chamou-o “Escrituras”.

Pedro classificou as cartas de Paulo como escrituras, ao lado das demais (2 Pe. 3:16)

Paulo menciona o evangelho de Lucas, chamando-o de Escritura. (1 Tm. 5:18 citando Lc. 10:7)

Hebreus menciona que Deus falara por meio dos profetas, e, neste últimos tempos tem falado pelo Filho(Hb 1:2).

Os livros apostólicos são colocados em igualdade com os livros proféticos. Os escritos apostólicos reivindicam para si a natureza de proféticos.

Em Ap. 22:18-19, João chama seu livro de profecia e se classifica entre os profetas.

Em Ef. 3:3-5 Paulo diz que os escritos proféticos do Novo Testamento revelam o mistério de Cristo predito nos escritos proféticos do Velho Testamento.

Reivindicação direta de inspiração nos livros do Novo Testamento – No Novo testamento há numerosos indícios de sua autoridade divina. Podem ser implícitos e explícitos.

  • Os evangelhos apresentam-se como registros autorizados do cumprimentos das profecias do Velho Testamento (Mt. 1:22; 2:15-17; Mc. 1:2)
  • Lucas escreveu para que o leitor soubesse dos fatos que se cumpriram (Lc. 1:1-2)
  • João disse que seu testemunho é verdadeiro (Jo. 21:24)
  • Atos se apresenta como registro dos fatos que Jesus continuou a fazer e ensinar por meio dos apóstolos. (At. 1). Também se apresenta como cumprimento de profecia do Velho Testamento(At. 2:16). Como Paulo, citou o evangelho de Lucas como Escritura (1 Tm 5:18), torna-se claro que tanto o apóstolo quanto Lucas consideravam o relato da continuação do Evangelho um texto autorizado.
  • Todas as cartas paulinas reivindicam inspiração divina. Em Romanos, Paulo ainda comprova sua vocação divina para o apostolado(Rm. 1:1-3) e encerra dizendo que se trata de texto profético (Rm. 16:26)
  • Em 2 Co. Paulo defende seu apostolado de forma mais completa do que em qualquer outra carta. (2 Co 10-13)
  • Em Gálatas ele apresenta a mais forte defesa de suas credenciais ao falar sobre a revelação feita a ele (Gl. 1:12)
  • Em Efésios ele declara que tinha recebido a revelação de Deus e a tinha escrito. (Ef. 3:3)
  • Em Filipenses Paulo diz a todos seguirem o modelo apostólico de vida (Fl. 3:17; 4:9)
  • Em Colossenses Paulo diz que seu ofício de apóstolo foi dado diretamente por Deus (Cl. 1:25)
  • Em Tessalonicenses Paulo diz havia dito palavras de Deus e não de homens (1 Ts. 2:13)
  • Na outra carta aos Tessalonicenses, Paulo diz para não se misturar com quem não obedecer às palavras desta carta (2 Ts. 3:14)
  • Em 1ª Timóteo Paulo coloca seus escritos no mesmo nível que o Velho Testamento.(1 Tm. 4:11-13)
  • Em 2ª Timóteo temos o clássico  texto sobre a inspiração das Escrituras (2 Tm 3:16)
  • Hebreus 2:3-4 deixa claro que este livro baseia-se na autoridade de Deus dada aos apóstolos
  • Tiago escreve com autoridade apostólica (Tg. 1:1)
  • A 1ª Carta de Pedro afirma ser do “apóstolo de Jesus Cristo” (1 Pe. 1:1)
  • Em 2ª Pedro diz que o ensino dos apóstolos tem a mesma autoridade que os escritos dos profetas (2 Pe. 3:2)
  • A 1ª Carta de João é de alguém que viu, ouviu ,contemplou a Cristo e tocou em suas mãos (1 Jo. 1:1). Afirma que a comunidade apostólica é vinda de Deus.(1 Jo. 2:19). Segundo e terceira cartas são do mesmo apóstolo, portanto, tem a mesma autoridade.
  • O Apocalipse traz a declaração mais evidente que se trata da inspiração da parte de Deus. (Ap. 1:10-11) , além de conter uma advertência sobre a profanação destas palavras.

Apoio à reivindicação de inspiração do Novo Testamento

Apoio à reivindicação de inspiração dentro do Novo Testamento

A Igreja no século I não aceitou qualquer escrito como sendo inspirado.

  • Jesus advertiu a igreja sobre os falsos mestres que viriam em seu nome.
  • Paulo exortou os tessalonicenses para que não aceitassem determinados escritos como sendo seus. (2 Ts. 2:2)
  • João advertiu com bastante intensidade para não crer em qualquer coisa, mas que provassem se os espíritos vinham de Deus (1 Jo. 4:1)
  • Todo livro sem a assinatura apostólica deveria ser recusado. (2 Ts. 3:17)

Leitura pública dos livros do Novo Testamento – Como era costume judaico ler as Escrituras aos sábados, a Igreja também adotou este costume no dia do Senhor. A leitura em público dessas cartas é prova da aceitação, deste o início pela Igreja do Novo Testamento, de sua autoridade divina.

  • Persistir em ler, ensinar e exortar (1 Tm. 4:13)
  • As cartas de Paulo deveriam ser lidas entre todos (Cl. 4:16)

Circulação dos livros do Novo Testamento – O texto acima expõe outro fato importante: a troca de cartas entre as igrejas. É possível também que esta troca tenha dado inicio às primeiras cópias dos escritos do Novo Testamento. Que por serem cópias dos originais eram igualmente aceitos e tidos por inspirados.

A coleção de livros do Novo Testamento – Os livros que circulavam entre as igrejas também eram possivelmente colecionados, conforme nos indica o apóstolo Pedro. (2 Pe. 3:15-16). Nos parece que ele próprio possuía uma coleção dos escritos de Paulo que ele põe em pé de igualdade com os escritos do Velho Testamento.

Citação dos livros do Novo Testamento – Os livros do Velho Testamento foram escritos num período de tempo muito maior do que o período de tempo nos qual foram escritos os livros do Novo Testamento. Por isso há mais citações do Velho testamento do que ao Novo. Porém alguns autores sagrados citam outros, apoiando assim a autoridade divina daqueles escritos.

  • Judas cita com clareza 2 Pe. 3:2-3 em Jd. 18
  • Lucas faz referência à sua obra anterior (At. 1:1)
  • João faz alusão ao seu próprio evangelho. (1 Jo 1:1)
  • Paulo ainda menciona uma outra carta que ele havia escrito aos Coríntios (1 Co. 5:9)

Ainda que estes exemplos não nos forneçam citações formais, ajudam a ilustrar que os autores sagrados reconheciam os escritos uns dos outros como tendo autoridade divina.

Apoio à reivindicação de inspiração dentro da Igreja Primitiva

Os primeiros pais da Igreja – Todos os autores do Novo testamento são mencionados pelos patriarcas da igreja primitiva que viveram até duas gerações após o Novo Testamento ser escrito, isto é, até por volta do ano de 150 d.C. Estes patriarcas da igreja representam o vínculo ininterrupto desde o tempo dos apóstolos, passando pela fundação da Igreja até os dias de hoje.

Os escritos mais antigos do Cristianismo fazem menção aos escritos apostólicos. Muitas destas citações são semelhantes às encontradas no Novo Testamento quando fazem citações relativas ao Velho Testamento.

  • Epístola de Barnabé (Autor desconhecido – 70 – 130 d.C.) – Cita o evangelho de Mateus como “Escritura”
  • Epístola aos Coríntios (Clemente de Roma – 95-97 d.C.) – chama os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) de Escrituras. Cita também passagens do Velho Testamento, cartas de Paulo e palavras de Jesus.
  • Inácio de Antioquia (110 d.C.) – Escreveu sete cartas (Epístola a Policarpo de Esmirna, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirniotas, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos, Epístola aos Tralianos) nas quais faz inúmeras citações ao Novo Testamento.
  • Policarpo (110-116 d.C.) – foi discípulo do apóstolo João, fez muitas citações dos Livros do Novo Testamento em sua Epístola aos Filipenses. Ele é um importante elo entre a Igreja recém nascida no século I com a Igreja no segundo século da era cristã.
  • O Pastor (Hermas 115 – 140 d.C.) Escrita em estilo de visões, como o Apocalipse, faz inúmeras referências ao Novo Testamento.
  • Didaquê (100-120 d.C.) – Importante obra do primeiro século quanto aos valores teológicos. A Didaquê cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do novo testamento: sendo Mateus, Lucas, I Epístola aos Coríntios, Hebreus, I Epístola da Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Carta aos Tessalonicenses e Apocalipse.
  • Epístola a Diogneto (150 d.C.) – faz muitas alusões ao Novo Testamento sem um título.

Com tudo isto vemos que os escritos dos pais da Igreja (Patrística) fizeram amplo uso do Novo Testamento, que à semelhança do Velho, era tido como inspirado por Deus.

Pais da Igreja de época posterior – A partir da segunda metade do século II, ainda encontramos forte apoio para a reivindicação da autoridade divina do Novo Testamento.

  • Justino Mártir – Grande escritor e defensor cristão do século II, considerava os evangelhos (ele os chamava de Memórias dos Apóstolos, pois provavelmente ainda não conhecia a divisão em 4 evnagelhos distintos) como a voz de Deus.
  • Taciano, discipulo de Justino, cita Jo. 1:5 como Escritura.
  • Irineu, que havia conhecido Policarpo, afirma claramente a divisão em quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), fazendo numerosas citações desses evangelhos, únicos evangelhos reconhecidos como autênticos e lidos na Igreja.
  • Clemente de Alexandria  – classifica tanto o Velho como o Novo Testamento sendo inspirados por Deus, com a mesma autoridade divina.
  • Orígenes (185-254 d.C.), discípulo de Clemente de Alexandria – professor da escola em Alexandria, teólogo e escritor cristão com mais de 600 obras. Entre os seus numerosos comentários bíblicos devem ser realçados: “Comentário ao Evangelho de Mateus”; “Comentário ao Evangelho de João”.  Algumas de suas obras trazem escritas : “não ensinada pelos Apóstolos e não sustentada pela Escritura”. ( “Comentário ao Evangelho de Mateus” XIII, 1, 46–53).

Como vimos havia amplo apoio dos pensadores e teólogos da Igreja Primitiva do século II com relação à autoridade do Novo Testamento.

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A inspiração do Antigo Testamento

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

A inspiração do Antigo Testamento

A reivindicação do Antigo Testamento a favor de sua inspiração

O Antigo Testamento toma para si a inspiração divina, com base no fato de se apresentar perante o povo de Deus e ser por este povo recebido como um pronunciamento profético.

Estes textos eram conservados em lugares sagrados:

  • Arca de Deus (Dt. 10:2)
  • Tabernáculo (Dt. 6:2)

O grande segredo da inspiração do Antigo Testamento  está na função profética de seus escritores.

O Antigo Testamento na qualidade de texto profético

O profeta era porta-voz de Deus. As funções do profeta ficam evidentes nas várias menções que se fazem dele.

  • Homem de Deus (1 Rs 12:22) –  Mostra que foi escolhido por Deus.
  • Servo do Senhor (1 Rs 14:18) – Mostra sua ocupação.
  • Mensageiro do Senhor (Is. 42:19) – Mostra sua missão a serviço de Deus.
  • Vidente (Is. 30:10; 1Cr. 29:29) – Mostra a fonte apocalíptica de sua verdade.
  • Homem do Espírito (Os. 9:7) – Mostra quem o levava a falar.
  • Atalaia (Ez. 3:17) – Mostra a prontidão em realizar a obra.

E acima de todas estas, se sobressai a de “Profeta”, ou seja, o porta-voz de Deus.

Em razão do chamado os profetas assumiam várias posturas:

  • Amós – “Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?” (Am 3:8)
  • Arão – Deveria falar “todas as palavras que o Senhor Deus havia dito a Moisés” (Ex. 4:30)

Desta forma, os profetas deveriam falar apenas o que Deus lhes ordenasse. (Dt. 18:18)

Além disso: “Nada acrescentareis ao que vos ordeno, e nada diminuireis” (Dt. 4:2)

Os falsos profetas  eram identificados por suas profecias falsas e pela falta de confirmação miraculosa.

“Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e o que ele disse não se cumprir, essa palavra não procede do Senhor.” (Dt. 18:22).

Sempre que um profeta era colocado sob suspeita, se o mesmo tivesse o respaldo de Deus, o Senhor deixava bem claro, por meio de milagres, a confirmação do chamado:

  • Moisés – A terra se abriu e engoliu Coré e os demais que contestaram sua vocação (Nm. 26:10)
  • Elias – Foi exaltado perante os profetas de baal (1 Rs. 18:38)

Há várias maneiras de comprovarmos que as passagens do Antigo Testamento  eram consideradas declarações proféticas.

As declarações proféticas eram escritas – Muitas das declarações proféticas eram transmitidas oralmente. Porém, aqui nos interessa o fato de que muitas foram registradas, e estes escritos são considerados como palavras do próprio Deus. não há a menor dúvida de que as palavras escritas de Moisés foram consideradas de autoridade divina. “Não se aparte da tua boca o livro desta lei.” (Js 1:8). Josué, sucessor de Moisés, também “escreveu estas palavras no livro da lei de Deus” (Js 24:26). Quando o rei queimou o primeiro rolo com a mensagem que Jeremias havia escrito, Deus ordenou que ele escrevesse novamente em outro rolo as mesmas coisas que estavam no primeiro. (Jr. 36:28). Isaías recebeu a ordem de tomar uma grande pedra e escrever nele (Is. 8:1). Habacuque recebeu a a incumbência de fazer o primeiro outdoor da história: “Escreve a visão, torná-a bem legível sobre tábuas, para que aquele que a ler, corra com ela.” (Hc. 2:2).

Os profetas posteriores usavam os escritos dos profetas anteriores considerando-os como palavra de Deus escrita. Daniel, por exemplo, soube que o cativeiro babilônico do povo estava chegando ao fim consultando os escritos de Jeremias. “Eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos , de que falou o Senhor ao profeta ao profeta Jeremias…”(Dn. 9:2)

Os escritores do Antigo Testamento eram profetas – Todos os autores do Antigo Testamento  eram denominados profetas, seja como um título, seja como função.

  • Amós – Am. 7:14-15
  • Davi, que era rei, testificou – 2 Sm. 23:2. O Novo testamento o denomina profeta – (At. 2:30)
  • Salomão – teve visões de Deus – 1 Rs. 11:9. De acordo com Números  12:6 as visões eram um meio comum para Deus mostrar ao povo quem eram seus profetas.
  • Daniel – Apesar de estadista, o próprio Senhor Jesus o denominou profeta. (Mt 24:15)
  • Moisés – legislador, foi denominado profeta ainda no Antigo Testamento  (Dt. 18:15; Os. 12:13)
  • Josué, sucessor de Moisés –  era considerado profeta de Deus (Dt. 34:9)
  • Samuel, Natã e gade foram profetas que escreveram da mesma forma que Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores.

Manteve-se um registro oficial dos escritos proféticos – Houve uma continuidade dos escritos proféticos, e cada novo profeta que registrava as palavras de Deus juntava seus escritos aos escritos anteriores.

  • Moisés guardou seus livros ao lado da arca.
  • Josué acrescentou seu livro à compilação já existente. (Js. 24:26)
  • Samuel fez o mesmo, acrescentou suas palavras à compilação profética, pois a seu respeito está escrito: “E escreveu-o num livro e o pôs perante o Senhor” (1 Sm. 10:25)
  • Samuel fundou uma escola de profetas (1 Sm. 19:20)
  • A história de Davi foi escrita pelos profetas Samuel, Natã e Gade (1 Cr. 29:29)
  • A história de Salomão foi escrita por Natã, Aías e Ido (2 Cr. 9:29)
  • O mesmo aconteceu com os reis Roboão, Josafá, Ezequias, Manassés e outros reis (2 Cr. 9:29; 12:15; 13:22; 20:34; 33:19; 35:27).

De acordo com Ezequiel havia um registro oficial dos verdadeiros profetas de Deus. todo aquele que transmitisse falsas profecias era excluído do rol oficial. (Ez. 13:9)

Desde os tempos mais antigos todos os 39 livros do Antigo Testamento  já formavam o acervo de escritos proféticos e portanto inspirados por Deus.

Reivindicações específicas do Antigo testamento a favor da sua inspiração

A inspiração da Bíblia não se baseia apenas na análise genérica dessa parte da Bíblia como escrito profético. Vamos examinar cada uma das partes que compõem o Antigo Testamento , segundo sua forma mais antiga: Lei, Profetas e Escritos.

A inspiração da lei de Moisés – De acordo com Êxodo 20:1 – “Então falou Deus todas essas palavras…”. Esta narrativa de que Deus falou se repete por dezenas de vezes em Levítico (Lv. 1:1; 8:9; 11:1). O livro de Números registra incontáveis vezes “…o Senhor falou a Moisés…” (Nm. 1:1; 2:1; 4:1). Deuteronômio acrescenta: “…falou Moisés aos filhos de Israel, conforme tudo o que o Senhor lhe ordenara a respeito deles” (Dt. 1:3). O restante do Antigo Testamento  declara ser os escritos de Moisés dados pelo próprio Deus.

  • Josué impôs imediatamente os livros da lei ao povo de Israel. (Js 1:8)
  • Juízes refere-se aos escritos de  Moisés como “Mandamentos do Senhor” (Jz 3:4)
  • Em Crônicas, os registros de Moisés são tidos por “livro da lei do Senhor, dada por intermédio de Moisés” (2 Cr. 34:14)
  • Até mesmo em Esdras e Neemias há o reconhecimento da lei de Deus dada a Moisés (Ed. 6:18; Ne 13:1)

A inspiração dos profetas – Também os profetas trazem para si a autoridade divina. “Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus” (Js. 24:26). Deus falou aos homens em Juízes (1:1-2; 6:25) e em Samuel (3:11). A famosa expressão “Assim diz o Senhor” está registrada muitas e muitas vezes. Sob o aspecto cronológico o Antigo Testamento  termina nesta seção não havendo não havendo testemunhos posteriores no Antigo Testamento  sobre a inspiração desta parta da Bíblia. Porém alguns profetas reconheceram a autoridade de outros profetas em seus escritos anteriores.

  • Daniel considerou o livro de Jeremias inspirado (Dn 9:2)
  • Esdras reconheceu a autoridade divina de Jeremias (Ed 1:1), bem como Ageu e Zacarias (Ed. 5:1)

Zacarias refere-se aos escritos de Moisés como inspiração divina, dizendo que eram “palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito mediante os profetas que nos precederam” (Zc. 7:12)

Estes versículos eliminam toda dúvida que de os escritos que estão na seção de Profetas das Escrituras judaicas de que sejam ou não de inspiração divina.

A inspiração dos escritos – Provavelmente o Antigo Testamento  original tivesse apenas duas divisões: a lei e os profetas. Esta última seção seria provavelmente mais tarde dividida em profetas e escritos. talvez a divisão fosse feita levando-se em conta o profeta por ocupação ou simplesmente pelo dom divino. os que se enquadrassem em profetas pelo dom divino os escritos seriam colocados na seção de escritos. Salmos, o primeiro livro dessa coleção, fora escrito em grande parte por Davi, que declarou que os Salmos tinham sido ditados por Deus palavra por palavra, pelo Espírito (2 Sm. 23:2). cântico dos cânticos, Provérbios e Eclesiastes, atribuídos a Salomão, seriam o registro da sabedoria que Deus mesmo havia lhe dado (1 Rs. 3:9-10). Eclesiastes e Jó se encerram com uma declaração de serem ensino autorizado. O livro de Daniel se baseia em grande parte em visões vindas de Deus.

Alguns livros não tomam para si a condição de inspirados:

  • Rute – Se foi escrito por Samuel, logo é inspirado pois Samuel foi profeta.
  • Ester – narrativa genuinamente judaica, serve de base para a tradicional festa de Purim, comemorada até hoje entre o povo judeu. Autoridade divina implícita. Podemos ver a mão de Deus agindo em secreto durante o desenrolar da história. Embora não sendo citado diretamente por nenhum outro profeta, harmoniza-se perfeitamente com o restante das Escrituras reconhecidamente inspiradas.
  • Cântico dos cânticos – obra derivada da sabedoria de Deus concedida a Salomão, logo inspirado.
  • Lamentações – escrito por Jeremias, logo por associação direta é inspirado
  • Esdras
  • Neemias
  • Crônicas

Esdras, Neemias e Crônicas são atribuídos, segundo a tradição judaica, a Esdras e Neemias, portanto implicitamente inspirados.

Apoio do Novo testamento à inspiração feita pelo Antigo Testamento

Veremos 3 formas de abordagem que o Novo Testamento faz sobre o ensino da autoridade divina do Antigo Testamento:

  • Inspiração do Antigo Testamento como um todo.
  • Por suas partes ou seções
  • Por livros específicos

Referências do Novo Testamento à inspiração do Antigo Testamento como um todo

O Novo Testamento reconhece de muitas maneiras a inspiração do Antigo Testamento :

Escrituras – é o termo mais empregado no Novo testamento para fazer referência ao Antigo Testamento.:

  • Toda escritura é divinamente inspirada (2 Tm. 3:16)
  • Disse Jesus: “A Escritura não pode ser anulada” (Jo 10:35)
  • Jesus respondendo aos fariseus: “Nunca lestes nas Escrituras?” (Mt. 21:42) e “Errais por não conhecer as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt. 22:29)

Palavra de Deus – é a expressão menos comum, porém é a referência mais forte que temos de que o Antigo Testamento  é realmente a Palavra de Deus.

  • Jesus acusou os fariseus de invalidar a Palavra de Deus (Mc. 7:13)
  • Paulo argumentou: “Não que a Palavra de Deus haja falhado” (Rm 9:6)
  • Em Hebreus temos: “A Palavra de Deus é viva e eficaz” (Hb. 4:12)

Lei – em geral se aplica aos cinco primeiros livros da Bíblia (Pentateuco – Lei de Moisés). porém em alguns casos há uma abrangência maior.

  • João 10:34 – Visto que esta citação está no livro de Salmos, fica bem claro que não se refere à lei de Moisés, mas sim abrangendo todo Antigo Testamento .

Lei e os profetas – ou “Moisés e os profetas” é o segundo título mais usado para designar o Antigo Testamento  com um todo.

  • Jesus a usou duas vezes em seu famoso sermão (Mt. 5:17; 7:12)
  • Paulo, em sua defesa diante de Félix, disse que a lei e os profetas eram a regra que ele se guiava como judeu devoto. (At. 24:14)
  • Eram lidos nas sinagogas – (At. 13:15)

Profetas  – Lc. 24:25-27 – faz clara referência a um grupo de livros, indicando o Antigo Testamento  como todo, visto todos os seus autores serem profetas.

Oráculos de Deus – Hb. 5:12 – Portanto, a palavra escrita do Antigo Testamento  é a Palavra de Deus.

Está escrito – Se encontra mais de noventa vezes no Novo Testamento.

  • Lc. 18:31
  • Lc. 21:21

Prediziam a respeito de Cristo e era inevitável que se cumprisse.

Para que se cumprissem as escrituras –  esta expressão também é encontrada com muita frequência no Novo Testamento, ratificando que o Antigo Testamento , como Palavra de Deus, se cumpre realmente.

  • Lc. 24:44
  • Mt. 5:17

Referências do Novo Testamento a seções específicas do Antigo Testamento

Lei e os profetas – Referem-se à divisão do Antigo Testamento  em duas partes.

  • Lc. 16:16 – Indica todos os escritos inspirados desde Moisés até Jesus. Este versículo trata de modo separado o Antigo Testamento , diferentemente das referências citadas acima.

Lei – Em geral designa apenas os cinco primeiros livros da Bíblia, como ocorre em Mt. 12:5. Em outra passagens são chamadas apenas de “Moisés” (2 Co. 3:15) , “os livros de Moisés” (Mc. 12:26) ou “livros da lei” (Gl. 3:10)

Os profetas –  Em geral identifica a segunda metade do Antigo Testamento  original. (Jo. 1:45; Lc. 18:31). emprega-se também as expressões: “escrituras dos profetas” (Mt. 26:56) e “o livro dos profetas” (At. 7:42)

Os escritos –  Não é um termo Neotestamentário. Trata-se de um termo não-bíblico para dividir os escritos proféticos em duas partes: os escritos feitos pelos profetas “profissionais”  (Os profetas) e por outros tipos de profetas (Os escritos). Existe apenas uma alusão à divisão em 3 partes do Antigo Testamento   no Novo Testamento.

  • Lc. 24:44 – Moisés, Profetas e Salmos –  Não fica claro se a referência é em virtude do significado messiânico de alguns Salmos, como parte da “lei” e dos “profetas”, ou então em referência ao primeiro livro da seção “Os Escritos” da Tanak.

Referências do Novo Testamento a livros específicos do Antigo Testamento

Dos 22 livros do cânon judaico mencionados por Josefo (historiador judeu), 18 são citados como autorizados no Novo testamento.

Não se encontram menções diretas a:

  • Juízes – Crônicas – Ester – Cântico dos cânticos. Porém encontramos referências a acontecimentos do livro de Juízes (Hb 11:32) e de Crônicas (Mt. 23:35; 2Cr. 24:20)
  • Pode haver uma citação ao Cântico dos cânticos 4:15 na referência que Jesus faz das águas vivas (Jo. 4:10), mas esta citação não apoia a autoridade do livro.
  • Referência ao livro de Ester por causa da Festa de Purim mencionada em João 5:1, ou ainda Ap. 11:10 e Ester 9:22, mas também não podem ser consideradas como apoio à inspiração. A autoridade divina nestes livros pode ser comprovada de outras formas, como veremos em aulas posteriores.

Quase todos os outros 18 livros do cânon hebraico são citados como autoridade no Novo Testamento.

  • A criação é citada por Jesus (Mt. 19:4-5)
  • O quinto mandamento em Ex. 20:12 é citado em Ef. 6:1, como Escritura.
  • A lei da purificação dos leprosos em Lv. 14:2-32 é citada em Mt. 8:4
  • Números é citado indiretamente, pois em 1 Co. 10 há referência de fatos acontecidos naquele livro.
  • Hb. 3:5 cita a fidelidade de Moisés em Nm. 12:7
  • Deuteronômio é citado por Jesus duas vezes em sua tentação (Mt. 4:4 e 4:7; Dt. 8:3 e 6:16)
  • Josué recebeu a promessa de Deus em Js. 1:5 a qual; é citada em Hb. 13:5
  • A resposta de Deus a Elias em 1 Rs. 19:18 é citada em Rm. 11:4
  • A autoridade de Jó (5:12) é demonstrada em  1 Co. 3:19
  • Salmos era um dos preferidos de Jesus, compare Mt. 21:42 com Sl. 118:22
  • Provérbios 3:34 é citado com toda clareza em em Tg. 4:6
  • O amor ao dinheiro como sendo a raiz de todos os males 1 Tm. 6:10 e Ec. 5:10
  • Não devemos multiplicar palavras vãs em nossas orações Mt. 6:7 e Ec. 5:2
  • Isaías é outro autor bastante citado: compare Is. 40:3 com Mateus 3:3. Jesus leu Is. 61:1-2 (Lc. 4:18-19). paulo citava Isaías com frequência: Rm. 9:27; At. 28:25-28
  • Jeremias 31:15 é citado em Mt. 2:17-18
  • Lamentações 3:30 é citado em Mt. 27:30
  • Ezequiel é citado várias vezes no Novo Testamento, ainda que nenhuma delas seja literal.
  • Os doze profetas menores foram agrupados na Bíblia hebraica. Há muitas citações deste grupo no NT
  • A famosa expressão de Hc. 2:4 “O justo viverá da fé” é citada em Rm 1:17; Gl. 3:11; Hb. 10:38

Diante disso apenas Juízes – Rute – Crônicas – Ester – Cântico dos cânticos deixam de ser mencionados com clareza no NT. Porém:

  • Juízes apresenta fatos históricos que o NT faz menção com sendo autênticos(Hb. 11:32)
  • Talvez Jesus tinha Crônicas em mente quando faz alusão ao sangue de Zacarias em Mt. 23:35

Disto restam apenas Ester e Cânticos dos cânticos sem referência implícita ou explícita no NT. Porém Ester é o livro básico da Festa de Purim, comemorado até hoje. E Cânticos dos cânticos  era sempre lido na festa da páscoa dos judeus, tal era a estima que lhe prestavam.

O Novo Testamento dá apoio à autoridade que o Antigo Testamento reivindica para si como autoridade divina. Além disso muitos outros ensino do Antigo Testamento estão explícitos no Novo Testamento, a saber:

  • Criação de Adão e Eva (Mt. 19:4)
  • Dilúvio no tempo de Noé (Lc. 17:27)
  • Milagres de Elias (Lc. 4:24-25)

Jonas no ventre do grande peixe (Mt. 12:41)

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As teorias da inspiração da Bíblia

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

As teorias da inspiração da Bíblia

 

As teorias da inspiração da Bíblia

Existem 3 teorias da inspiração da Bíblia. Iremos examinar cada uma delas, porém nem todas estão de acordo com a própria Bíblia. São elas:

Ortodoxia: a Bíblia é a palavra de Deus.

Modernismo: a Bíblia contém a palavra de Deus.

Neo-ortodoxia: a Bíblia torna-se a palavra de Deus.

Ortodoxia

Foi por 18 séculos defendida por todos os teólogos.

Os pais da Igreja sempre ensinaram que a Bíblia é a palavra escrita de Deus e que foi inspirada verbalmente, ou seja, é o registro escrito por inspiração de Deus.

Esta linha de pensamento ainda se divide em duas correntes:

Ditado verbal – Deus mesmo inspirou cada palavra da Bíblia. Porém descarta-se a ideia de que o escritor tenha sido meramente um “secretário”. Ou seja, Deus ditou sua palavra a cada escritor, porém, manteve-se a personalidade de cada escritor individualmente. Desta maneira temos estilos diferentes na Bíblia, mas toda ela é obra da mesma inspiração Divina. Deus ditou sua palavra mediante a personalidade  do autor humano.

Conceitos inspirados – Deus deu a cada autor a inspiração dos conceitos que deveriam ser escritos e não palavra por palavra. Assim, desta forma, cada autor estaria livre para expressar em termos humanos, cada um em seu estilo, aquilo que Deus revelou a cada um.

Modernismo

Ensinam que algumas partes da Bíblia são inspiradas e outras não. Certas partes podem conter erros e são fruto apenas da expiência humana e contém lendas, mitos e fatos relativos à sua época de escrita. Inclusive falsas crenças relacionadas à ciência.

Só as verdades divinas incluídas nessa mistura de ignorância antiga e erro grosseiro, é que de fato, teriam sido inspiradas por Deus.

Conceito de iluminação – As partes inspiradas da Bíblia resultam de uma profunda percepção religiosa que Deus teria concedido a alguns homens piedosos. Daí então houve o registro desta percepção dada por Deus com conceitos humanos e errôneos da época.

Conceito de intuição – Na outra extremidade da visão modernista estão aqueles que atribuem apenas à intuição humana o registro bíblico. Ou seja, não há nenhum elemnto divino na composição da Bíblia. A Bíblia passa a ser somente um registro das lendas, fatos e folclore do povo judeu dentro de sua época. Não descartam o elevado padrão moral e algum cunho religioso, mas as percepções espirituais são puramente naturalistas, ou seja, aconteceram sem a intervenção divina.

Neo-ortodoxia

Surgiu no início do século, como uma tentativa dos homens a se voltarem novamente para a palavra como fonte de revelação de Deus aos homens. Afirmam que Deus fala aos homens mediante a Bíblia, porém, dizem que a Bíblia torna-se a palavra de Deus quando há um encontro pessoal entre o homem e Deus.

Assim como as outras duas correntes teológicas, esta também se divide em dois grupos principais:

Visão demitizante – Dizem que a Bíblia foi escrita em linguagem mitológica, em seu tempo, que hoje não se aplica mais. A tarefa do cristão moderno é demitizar, ou seja, tirar todas as lendas e mitos e descobrir o qual é o conhecimento real aplicável. Desta forma, a Bíblia torna-se a palavra Deus. A Bíblia, em si mesma, não é a revelação alguma. Apenas quando conseguimos extrair o verdadeiro significado é que ela se torna a palavra de Deus.

Encontro pessoal – Reconhecem que existem imperfeições nos relatos bíblicos, porém afirmam ser, a Bíblia, a fonte da revelação de Deus aos homens. Assim como um cão consegue reconhecer a voz de seu dono numa gravação imperfeita numa fita cassete, o homem consegue, mesmo com estas imperfeições, reconhecer a voz de Deus impressa nas Escrituras.  Assim, a Bíblia deixa de ser a revelação direta de Deus, passando a ser meramente um registro de Deus a homens de Deus do passado. Toda vez que o homem moderno lê a Bíblia, esta torna-se a palavra de Deus para nós. Em oposição aos ortodoxos, a Bíblia não é um registro inspirado de Deus, mas sim escritos imperfeitos, que constituem o testemunho singular de Deus.

O ensino da própria Bíblia sobre a inspiração

Na aula anterior vimos dois textos que nos ensinam sobre a inspiração da Bíblia.

  • 2 Tm 3:16
  • 2 Pe 1:21

A Bíblia declara ser um livro dotado de autoridade divina, resultante de um processo pelo qual homens movidos pelo Espírito Santo escreveram textos inspirados por Deus.

A inspiração é verbalA Bíblia toma para si mesma a qualidade de inspiração verbal. Texto clássico: 2 Tm 3:16.  Declara que as graphā (textos) são inspiradas.

  • “Moisés escreveu todas as palavras do Senhor…” (Ex. 24:4)
  • O Senhor ordenou a Isaías que escrevesse num livro a mensagem eterna de Deus. (Is. 30:8)
  • Davi confessou: “O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua palavra está na minha boca.” (2Sm. 23:2)
  • Era a palavra do Senhor que chegava até aos profetas no Antigo Testamento.
  • Jeremias recebeu esta ordem: “…não te esqueças de nenhuma palavra…”(Jr. 26:2)
  • Jesus e os apóstolos corroboraram a inspiração verbal sempre citando a expressão: “…está escrito…” (Mt 4:4,7; Lc 24:27,44)
  • O apóstolo Paulo afirmou : “…falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina…” (1 Co. 2:13)
  • João nos adverte a não “tirar  quaisquer palavras do livro desta profecia.” (Ap. 22:19).
  • Jesus enfatizou até mesmo os menores sinais ortográficos de uma palavra hebraica:  “Em verdade vos digo que até que a terra e o céu passem, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mt 5:18)
  • Pedro afirmou a inspiração de seus escritos com os de outros apóstolos (2 Pedro 3:1,2,15,16).

Portanto, vemos que fica bem clara a idéia de que a Bíblia reinvidica para si toda autoridade verbal e escrita.

A inspiração é plena A Bíblia toma para si a qualidade de ser totalmente inspirada por Deus, de capa a capa.

  • Toda a escritura é divinamente inspirada…” (2 Tm. 3:16).
  • Nenhuma parte da Bíblia deixou de receber autoridade doutrinária. Paulo foi além ao declarar ainda: “…tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito…” (Rm 15:4).

Jesus e todos os autores no NT deixaram bem claro que todos os escritos  do VT foram divinamente inspirados e citaram vários trechos, para reforçar a autoridade das Escrituras. Até os ensinos mais polêmicos como a criação de Adão e Eva, o dilúvio, Jonas e o grande peixe são mencionados por Jesus, deixando bem clara a autoridade deles.

A inspiração plena abrange também conceitos científicos:

  • A Terra é circular, memso quando os homens não acreditavam nisso. (Is 40:22).
  • Ensinou o ciclo hidrológico antes que pudesse ser estudado pela ciência (Sl. 104:5-13).

A inspiração atribui autoridadeA inspiração concede autoridade insdiscutível ao texto.

Disse Jesus: “… a Escritura não pode ser anulada…” (Jo 10:35).

Em diversas ocosiões Jesus recorreu à palavra de Deus escrita, que Ele considerava juiz nas questões de fé e de prática.

  • Para purificar o templo – Mc. 11:17
  • Pôr em cheque a tradição dos fariseus – Mt. 15:3-4
  • Para resolver divergências doutrinárias – Mt 22:29
  • Para confrontar Satanás – Mt 4:4,7,10

Encontramos total autoridade das Escrituras em outra declaração de Jesus: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei.” (Lc. 16:17)

Implicações da doutrina bíblica da inspiração

Existem algumas coisas, que embora não estando explicitamente apresentados na doutrina da inspiração, acham-se implícitos. Vamos verificar 3 deles:

A inspiração diz respeito igualmente ao Antigo Testamento e Novo Testamento

A maioria das passagens citadas acima explicitamente se referem a textos do VT.  Com base em que podemos afirmar que o NT também faz parte das Escrituras?

  • O NT, assim como o VT, reinvida ser também Escritura Sagrada, e toda Escritura é divinamente inspirada.
  • 2 Tm 3:16 – A referência explícita aqui é ao VT. Porém sendo o NT parte das Escrituras, logo a referência está implícita ao NT.
  • Pedro diz em 2 Pe 3:16 que os escritos de Paulo fazem parte das Escrituras do VT.
  • Paulo cita em 1 Tm 5:18 o Evangelho de Lucas(10:7) como Escritura.

Como nem Paulo, nem Lucas fizeram parte do apostolado original, e seus escritos estão classificados como Escritura, por implicação direta podemos considerar o restante do NT, escrito pelos apóstolos, como sendo Escritura Sagrada.

Se todo NT é Escritura Sagrada, e toda Escritura é divinamente inspirada, temos então que o NT também é inspirado por Deus.

Na verdade, os primeiros cristãos consideravam os escritos dos apóstolos como tendo autoridade de Deus.

De acordo com 1 Pe 1:20-21, todas as mensagens escritas de natureza profética foram dadas ou inspiradas por Deus. Visto que o NT reinvidica a natureza de escrito profético, segue-se que reclama a mesma autoridade dos escritos proféticos do VT.

João, por exemplo, cita em Ap. 22:18 “…palavras da profecia deste livro.”

Paulo afirmou que a Igreja está fundamentada sobre o alicerce dos apóstolos e profetas do NT – Ef. 2:20; 3:5

A inspiração engloba uma variedade de fontes e gêneros literários

A Bíblia não foi ditada palavra por palavra no sentido comum que se atribui ao verbo ditar. Na verdade, há certos trechos que Deus deu diretamente ao homem, assim como os Dez mandamentos (Dt. 4:10). Os escritores da Bíblia eram compositores, não meros secretários.

Podemos identificar diversos estilos na Bíblia:

  • As poderosas expressões de Isaías e os tons de lamúria de Jeremias
  • Construção literária complexa de Hebreus e o estilo simples de João.
  • Linguagem técnica de Lucas com imagens pastorais de Tiago.

A Bíblia faz uso de documentos não-bíblicos, assim como:

  • Livro de Jasar (Js. 10:13; 2 Sm 1:18)
  • Poeta Epimenedes (At. 17:28)
  • Alguns provérbios de Salomão foram editados pelos homens de Ezequias (Pv. 25:1)
  • Lucas diz que usou muitas fontes escritas na composição de seu evangelho (Lc. 1:1-4)

A Bíblia contém muitos gêneros literários

  • Poesia (Jó, Salmos, Provérbios)
  • Os evangelhos contém muitas parábolas.
  • Jesus empregava a sátira (Mt. 19:24).
  • Paulo usou alegorias (Gl 4) e hipérboles (Cl. 1:23)

A Bíblia usa linguagem comum do dia-a-dia e não linguagem científica. Porém, isso não quer dizer que haja  negação da ciência, mas antes, usavam palavras simples para descrever eventos científicos.

Não é anticientífico afirmar que sol permaneceu parado (Js 10:12) do que dizer que o sol nasceu ou subiu (Js 1:15). Dizer que a rainha de Sabá veio dos confins da Terra ou que as pessoas no pentecostes vieram de todas as nações debaixo do céu, não é dizer coisas com exatidão científica. Os autores usaram formas comuns para escrever as situações.

A Bíblia foi escrita usando-se a personalidade de cada escritor e respeitando cada tempo histórico no qual foi escrito.

A inspiração pressupõe inerrância

A Bíblia, devido à sua inspiração divina é também inerrante. Deus não pode cometer erro, ou mentir. Por isso, sua Palavra é a verdade e tudo quanto está na Bíblia, sendo as próprias palavras de Deus, é isento de erro.

A Bíblia não é um livro de ciências, mas sempre que a Bíblia trata de algum assunto científico, o faz sem cometer erro.

A Bíblia não é um livro de História, porém, sempre que a História secular se cruza com a história bíblica, este referência é isenta de erros.

A Bíblia, apesar de ter sido escrita por autores humanos, é isenta de erros relativos à condição pecaminosa do homem. Não há distorção ou falsidade na Palavra por conta disso.

Se a Bíblia não estivesse correta quanto aos assuntos que podemos claramente comprovar, como poderíamos crer nela quando se tratasse dos assuntos espirituais, nos quais não podemos comprovar por nenhuma tese humana?

Como disse Jesus a Nicodemos: “Se vos falei de coisas terrrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo 3:12)

 

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Conheça a Bíblia

Publicado em Bibliologia no dia 8 de setembro de 2009

Conheça a Bíblia

Conheça a Bíblia

De onde veio a Bíblia?

Como podemos ter certeza de que só os livros inspirados foram incluídos na Bíblia?

A Bíblia contém erros?

Quais são as cópias mais antigas da Bíblia de que dispomos?

O que constitui o caráter inusitado da Bíblia?

Como foi que ela se originou?

Quando e como assumiu sua forma atual?

O que significa inspiração da Bíblia?

Estrutura da Bíblia

A palavra Bíblia (Livro) passou a fazer parte da língua moderna por meio do francês, passando primeiro pelo latim biblia, com origem no grego biblos. Originalmente era o nome que se dava à casca do papiro do século XI a.C. Por volta do século II d.C. , os cristãos começaram a usar a palavra para designar seus escritos sagrados.

Os dois testamentos da Bíblia

Compõe-se de duas partes principais:

  • Antigo Testamento
  • Novo Testamento

Antigo Testamento: escrito pela comunidade judaica e preservado por mais de mil anos antes de Jesus.

Novo Testamento: escrito pelos discípulos de Jesus ao longo do século I d.C.

Testamento: melhor traduzido por aliança. Veio de vocábulos gregos e hebraicos que significam “pacto” ou “acordo” celebrado entre duas partes.

As seções da Bíblia

Divide-se normalmente em 8 partes: quatro no Antigo Testamento  e quatro no Novo Testamento.

A divisão em quatro seções do Antigo Testamento está baseada em sua tradução para o grego, tambem conhecida como Septuaginta(LXX). A Bíblia hebraica não segue essa divisão tópica dos livros. Na Bíblia hebraica emprega-se uma divisão em 3 partes.

A Lei (Torá) Os profetas(Nebhiim) Os escritos(Kethubhim)
Gênesis

Êxodo

Levítico

Números

Deuteronômio

A. Profetas anteriores

Josué

Juízes

1 e 2 Samuel

1 e 2 Reis.

B. Profetas posteriores

Isaías,

Jeremias

Ezequiel

Os Doze Profetas Menores

A. Livros poéticos

Salmos

Provérbios

B. Cinco Rolos(Megilloth)

Ester

Cantares de Salomão

Rute

Lamentações

Eclesiastes

C. Livros Históricos

Daniel

Esdras

Neemias

1 e 2 Crônicas

A junção das primeiras letras de cada uma destas divisões (T, N e K) formam o nome da bíblia hebraica completa: Tanak.

O Novo testamento faz uma alusão a esta divisão em 3 partes da Bíblia Hebraica, quando Jesus disse: “…era necessário que se cumprimisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24:44).

Mesmo a Bíblia Hebraica, ainda hoje manter esta divisão em 3 partes, a Vulgata Latina, de Jerônimo, e as Bíblias posteriores a esta seguiriam o formato tópico das quatro partes que hoje conhecemos. Se combinarmos essa divisão com outra, também largamente aceita, de quatro partes do Novo testamento, a Bíblia pode ser dividida na estrutura geral e cristocêntrica apresentada no quadro abaixo:

Antigo Testamento

Lei

História

Poesia

Profecia

Fundamento da chegada de Cristo

Preparação para chegada de Cristo

Anelo pela chegada de Cristo

Certeza da chegada de Cristo

Novo Testamento

Evangelhos

Atos

Epístolas

Apocalipse

Manifestação de Cristo

Propagação de Cristo

Interpretação e aplicação de Cristo

Consumação em Cristo

Capítulos e versículos da Bíblia

Não existiam nos originais.

Foram feitas para facilitar a tarefa de citar as escrituras.

Stephen Langton, professor da Universidade de Paris, e mais tarde, arcebispo da Cantuária (Reino Unido), dividiu a Bíblia em capítulos em 1227.

Robert Stephanus, impressor parisiense, acrescentou a divisão em versículos em 1551, na Reforma Protestante.

A inspiração da Bíblia

A característica mais importante da Bíblia não é sua estrutura ou forma, mas o fato de ter sido inspirada por Deus.

Quando falamos de inspiração, não estamos tratando de inspiração poética, mas da autoridade Divina.

A Bíblia é um livro singular, foi literalmente “soprada por Deus”.

Definição de inspiração

Embora a palavra inspiração seja usada apenas uma vez no NT (2 Tm 3:16) e outra no VT (Jó 32:8), o processo pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada ao homem é apresentado de muitas maneiras.

Descrição bíblica de inspiração

2 Timóteo 3:16 – Literalmente “soprado por Deus” (do grego theopneustos), por isso dotado da autoridade divina.

1 Coríntios 2:13 – Quaisquer palavras ensinadas pelo Espírito Santo são palavras divinamente inspiradas.

2 Pedro 1:21 – As mensagens anunciadas não eram fruto da imaginação dos homens, mas foram “sopradas pelo Espírito”.

1 Pedro 1:11 – Deus é o fato de eles sondarem seus próprios escritos.

Combinando as passagens que nos ensinam sobre a inspiração divina, podemos concluir que:

Homens, movidos pelo Espírito, escreveram palavras sopradas por Deus, as quais são a fonte de autoridade para a fé e para a prática cristã.

Definição teológica da inspiração

Na única vez que a palavra inspiração é usada, ela se aplica aos escritos e não aos escritores. Ou seja, o produto final – Bíblia é inspirada, mas não seus escritores. Todavia, seus autores foram movidos pelo Espírito Santo a escrever as palavras que o próprio Deus queria que escrevessem. Por exemplo: Paulo escreveu mais uma carta à Igreja de Corinto, porém a mesma não está em nossa Bíblia atual.

a) Por Deus:  At 1:16; 2Tm 3:16-17; Hb 10:15-17; 2Pd 1:20-21.

b) Verbal: (= palavra por palavra, e não apenas os pensamentos principais): Mt 4:4-5; 5:17-18; 1Co 2:13

c) Plenária: (= toda ela, de capa a capa, sobre todo e qualquer assunto): 2Tm 3:16-17.

d) Infalível e inerrável: (= não contém nenhum erro, é incapaz de errar e de falhar): Mt 5:18; Jo 10:35b.

Temos 3 elementos essenciais no processo de inspiração:

Causalidade divina: Deus é a fonte primordial da inspiração da Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento humano. Deus falou aos profetas e, em seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus revelou a estes homens as verdades da fé, e estes homens de Deus as registraram.

Mediação profética: Os profetas não eram robôs que ouviam um ditado de Deus e escreviam. Cada autor teve seu próprio estilo de escrita, suas personalidades não foram anuladas. Deus usou suas personalidades humanas para nos transmitir suas verdades.

Autoridade escrita: A Bíblia é a última palavra no que concerne a assuntos doutrinários e éticos. Todas as controvérsias teológicas e morais devem ser tratadas sob a luz da Bíblia. As escrituras receberam sua autoridade do próprio Deus, que falou por meio dos profetas. No entanto são os escritos dos profetas, e não os profetas que retêm a resultante da autoridade divina. Todos os profetas morreram, porém os escritos proféticos permanecem. Jesus disse que suas palavras não passariam. Entretanto Jesus nunca escreveu nada, mas sim os apóstolos. Como Jesus mesmo predisse: as palavras dele (Deus) permanecem para sempre, embora os apóstolos já tenham morrido.

Distinções importantes

Inspiração – Revelação e Iluminação

Revelação: exposição da verdade. Deus revelou seus pensamentos aos profetas.

Inspiração: Transmissão da verdade. Deus inspirou os profetas a escreverem essas verdades.

Iluminação: Compreensão da verdade. Deus nos ilumina a entender o que a Bíblia diz. (1 Co 2:14)

Inspiração dos originais, não das cópias

A rigor apenas os escritos originais foram realmente inspirados. Porém temos a ação preservadora de Deus para que cópias fossem feitas deste originais sem alterar a mensagem de Deus para os homens.

A isto chamamos de inspiração derivada, uma vez que foram cópias fiéis dos autógrafos.

Para fins práticos, a Bíblia em nossa língua e época, por ser transmissão exata dos originais, é a Palavra de Deus inspirada.

Alguns perguntam como é possível afirmar  que os originais não continham erro, se não podem ser examinados. A resposta é que a inerrância bíbl;ica não um fato que pode ser comprovado, mas uma crença baseadano ensino da Bíblia e respeito de sua inspiração, bem como baseada na natureza altamente precisa da grande maioria das Escrituras transmitidas e na ausência de qualquer prova em contrário. Afirma a Bíblia ser a declaração de um Deus que não pode cometer erros.

NOTA ARQUEOLÓGICA: Os pergaminhos achados no Mar Morto, revelaram a exatidão de trechos do profeta Isaías com os textos da época. Isto nos fornece base para crermos que a Bíbia é realmente a palavra preservada de Deus até nossos dias.

Inspiração do ensino

O que a Bíblia nos ensina foi inspirado e não apresenta erro. Porém, devemos ressaltar que na Bíblía estão registrados eventos que ela mesma condena, pois são de fato, pecado, e não devem ser imitados ou seguidos.

A Bíblia narra por exemplo algumas mentiras de Satanás. O que a inspiração divina nos garante é que se trata de um registro verdadeiro de uma mentira satânica, uma perversidade real de Satanás.

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