31 – Obadias – Curto e grosso

Obadias

Introdução ao Livro de Obadias –  Curto e grosso

 

O livro de Obadias é o mais curto do Antigo Testamento; possui apenas 21 versículos. A biografia de Obadias ainda é um tema discutido entre os estudiosos, pois quase nada se sabe sobre o profeta. A tradição judaica de que o autor do livro foi o mordomo do rei Acabe não se apoia em nenhuma evidência ou confirmação histórica (Talmude: Sanhedrin 39b; 1 Rs. 18:3-16).

A dificuldade se encontra na identificação do personagem, pois os oráculos apresentados não identificam o profeta nem a época em questão. Seu nome significa servo de Javé, um nome bastante comum em Israel. Este nome está associado a mais de uma dezena de personagens no Antigo Testamento em diferentes momentos da história.

 

O assunto principal do livro de Obadias é a sua reação diante do crime e oportunismo de Edom para com Judá, seu irmão. Os crimes descritos por Obadias podem ser situados em dois períodos entre 850 a.C e 400 a.C:

 

  • Os filisteus e árabes invadem Jerusalém por volta de 844 a.C no reinado de Jeorão: 2 Rs. 8:16-20 e 2 Cr. 21:16-17
  • Os babilônios sitiam, invadem e destroem Jerusalém em 587 a.C: 2 Rs. 25:1-12 e  Ez. 25:1-3

A segunda opção parece ser mais plausível do ponto de vista do verso 11. Portanto, as profecias de julgamento contra Jerusalém se cumpriram. A Babilônia invadira a terra, levara cativo o rei, devastara o templo, levando milhares de hebreus para o exílio. Embora o castigo de Judá fosse merecido, as nações ao redor, especialmente Edom, aproveitaram-se da fragilidade momentânea de Judá para promover saques e o massacre étnico contra os seus habitantes.

 

Outras características que reforçam a datação pós exílica são os paralelos que Obadias faz com Jeremias 49:7-22 citando uma tradição mais primitiva e o termo exilados no verso 20 referindo-se aos israelitas.

 

A gravidade destes oráculos contra Edom reside no parentesco entre Edom e Israel, que foram respectivamente os patriarcas Esaú e Jacó, filhos de Isaque e Rebeca (Gn. 25:23-26). A nação de Edom vivia nas montanhas e tinham uma organização social estruturada desde a época dos patriarcas (Gn. 36:1-30) e adotaram o governo monárquico antes do Êxodo dos hebreus do Egito. Nesta época os edomitas negaram a passagem dos israelitas pelo leste mostrando seu potencial militar (Nm. 20:14-21; 21:4).

 

A data da destruição de Edom não pode ser precisada, mas, no tempo do profeta Malaquias (500 – 400 a.C.) a nação já estava arruinada (Ml. 1:2-4). Por volta de 312 a.C. (domínio grego) os árabes nabateus tomaram as terras edomitas e expulsaram os sobreviventes para a Iduméia, ao norte. No Novo Testamento o representante mais famoso desse povo foi Herodes, o grande.

 

Estrutura de Obadias

 

Obadias pode ser esboçado da seguinte forma:

 

  • Cabeçalho – 1a
  • Oráculo contra Edom – 1b – 14
    • O julgamento é anunciado – 1b – 9
    • Acusação de crueldade contra seu irmão Judá – 10 – 14
  • A descrição dia do Senhor – 15 – 21
    • O julgamento de todas as nações – 15 e 16
    • O livramento de Judá – 17 e 18
    • O estabelecimento do Reino de Javé – 19 – 21

 

Obadias não é o único com profecias dirigidas a Edom. Outros oráculos estão registrados em: Is. 21:11-12; 34:5-17; Jr. 49:7-22; Ez. 25:12-14; 35:1-15; Am. 1:11-12. A recorrência aos edomitas nas profecias do Antigo Testamento surge desde a bênção de Isaque para Esaú (Gn. 27:39-40) até a confirmação da destruição total de Edom em Malaquias (Ml. 1:2-4) .

 

O termo visão que Obadias usa pode se referir ao processo de comunicação entre Deus e o profeta bem como ao método propriamente dito. A brevidade da mensagem de Obadias pode ser explicada pela visão que o Senhor lhe dera; desta maneira, o destino de Edom, visto com antecedência, pouparam-lhe as palavras.

 

Conforme visto anteriormente, Obadias repete um trecho já citado por Jeremias (compare Ob. 1b, 4-6 e Jr. 49:9-10,14-16). A explicação mais adequada é que ambos os profetas tenham utilizado uma fonte comum antiedomita mais antiga.

 

Do ponto de vista literário, Obadias constrói sua mensagem com a tradicional estrutura profética, contendo:

 

  • As acusações dos pecados
  • O julgamento divino
  • A promessa de restauração

 

A mensagem de Obadias pode ser organizada em quatro partes :

 

  • Primeira parte: descrição da ruína total de Edom. Mesmo as fortificações mais inacessíveis serão aniquiladas. Seu motivo de orgulho, os guerreiros e sábios, seriam destruídos. Edom será saqueada pelas nações nas quais confiava.
  • Segunda parte: descrição dos crimes contra a humanidade de Edom. A violência injustificada e a falta de compaixão de Edom contra Judá são as causas do julgamento de Edom.
  • Terceira parte: anúncio do dia do Senhor como um dia de julgamento contra Edom. Essa mensagem para Edom servia para todas as demais nações inimigas de Israel.
  • Quarta parte: descrição da ruína de Edom e restauração de Israel.

 

Propósito e conteúdo

 

O profeta Obadias trata dos seguintes assuntos:

 

  • A soberania de Javé sobre as nações
  • A restauração de Israel
  • O conceito de retribuição

 

Obadias, como mensageiro de Javé, tratou sobre a restauração de Israel e o julgamento de todas as nações que cometeram crimes contra a humanidade. Obadias utilizou-se do tema do Dia do Senhor, comum aos profetas, para predizer o livramento de Jerusalém e declarar o domínio universal do Senhor sobre todos os povos. A punição de Edom serviria de aviso a todas as demais nações acerca da retribuição que teriam pela maneira injusta à qual submeteram os israelitas.

 

Mais importante do que a punição a Edom o livro de Obadias mostra o amor e cuidado do Senhor pelo povo da Aliança.

 

 

Orgulho

 

O orgulho foi uma das grandes tragédias do povo edomita. Sua confiança se baseava inteiramente em seus sábios e guerreiros. Obadias demonstra que esses mesmos sábios não livrariam Edom da pilhagem de sua colheita e tesouro (Ob. 5-6). Esse orgulho transformou-se em crueldade e impediu a compaixão, por isso o Senhor condena  os orgulhosos (Pv. 16:18). Enfim, toda a sabedoria de Edom foi inútil diante do julgamento  pelo qual passou. O Novo Testamento confirma esse conceito afirmado que isso acontecerá com todos aqueles que usarem da sabedoria humana em confronto com Deus (1 Co. 1:18-31).

 

O dia do Senhor

 

A partir do verso 15 há a mudança de ênfase do julgamento individual de Edom para todas as nações. Esta mudança pode ter dois objetivos básicos à luz da teologia do Antigo Testamento:

 

  • atender à expectativa de Israel com relação à sua vindicação por justiça naquele momento
  • renovar a esperança de Israel em relação ao triunfo final de Javé sobre as nações com o estabelecimento de seu Reino. Este é um tema recorrente no Antigo Testamento que foi trabalhado por outros profetas (Is. 24 – 27; Jr. 29 – 33; Ez. 33 – 35; Os. 13 – 14; Am. 9).

 

O tema do dia do Senhor traz o ensinamento de que Javé é um Deus que exige justiça; não apenas em um futuro escatológico, mas também nesta era. Embora seja misericordioso, que estende sua paciência, fica claro que ele não tolera a injustiça para sempre. Ele pune a desobediência.

 

Restauração de Israel

 

Seguindo a tendência teológica de outros profetas, Obadias também trata sobre a restauração do remanescente de Israel (Jl. 3:17-21; Am. 9:11-15; Mq. 7:8-20). Obadias cita os nomes dos patriarcas para promover a esperança de que os exilados veriam as promessas cumpridas, reforçando, desta maneira, a fé do povo judeu em Javé como um Deus fiel à sua Palavra (Sl. 115; Mq. 7:20).

 

Este ensino é intensificado por outros profetas que trabalham o tema do domínio eterno de Javé por meio do Messias vindo no Dia do Senhor (Ez. 37:24-28; Dn. 2:44,45; Zc. 12:3 – 13:6).

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Publicado por

Alexandre Milhoranza

Sou Alexandre Milhoranza e pertenço à Igreja Batista. Sou Casado com a Ana Claudia e temos dois filhos, a Bárbara e o Eduardo. Atuo profissionalmente com Desenvolvimento de Sistemas Web na plataforma .NET e Sharepoint, mas também estudo Teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Um pecador salvo unicamente pela graça de Deus, e basta.