O protestantismo americano

O protestantismo americano

Com a revolução protestante puritana na Europa, e sua consequente perseguição, houve grande fuga para a América do Norte. Os puritanos, ao chegarem ao novo continente, quiseram colonizá-lo literalmente de acordo com sua doutrina e confissão de fé. Apesar de passar por várias crises em sua formação, o protestantismo consegue se firmar como principal expressão religiosa da América.

A vida religiosa norte-americana foi marcada pelos dois grandes avivamentos dos séculos XVIII e XIX. Por conta da grande imoralidade social que atingia a América no século XVIII, muitos pastores usavam uma linguagem dura e frequentemente os sermões tinham a temática da soberania de Deus e do juízo eterno no inferno. Um exemplo clássico é o sermão de Jonathan Edwards, “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, de 1741.

O segundo grande avivamento ocorreu no século XIX, no leste do país. Uma marca característica foi o abandono da doutrina da predestinação individual para a pregação da predestinação coletiva, que ficou conhecida como “Destino Manifesto”. A doutrina do Destino Manifesto pregava que Deus havia escolhido uma nação, a América, para pregar a Palavra ao mundo. Posteriormente servirá de base para a intervenção militar americana em alguns países do mundo tais como: Iraque e Afeganistão. Esta doutrina foi publicada originalmente em 1845 por  John O’Sullivan. Neste segundo período de avivamento o grande nome foi sem dúvida Charles Finney, que foi o precursor das séries de conferência evangelística com cânticos, testemunhos e apelos à conversão.

O resultado destes dois grandes avivamentos gerou o movimento evangelical, que popularizou as campanhas evangelísticas em massa pelo mundo, cuja maior expressão, no século XX, foi o pregador William Franklin Graham Jr, mais conhecido como Billy Graham .

O pós reforma

Os efeitos da Reforma

A Reforma foi uma revolução religiosa, porém, não devemos entender que se tratou apenas da rebelião de um monge contra o Papa. A Reforma aconteceu pois houve uma gama de transformações na política, economia, sociedade e o conhecimento em geral, além das idéias dos pré reformadores, como vimos acima.

Os reformadores tiveram em comum a não conformidade com o sistema religioso vigente e também não quiseram inventar nada novo, mas apenas seguir com fidelidade o que estava na Palavra Revelada.

Neste processo de mudança, que durou alguns anos, certamente houve exageros, mas, em contrapartida, se não houvesse a iniciativa de destes homens, provavelmente nada teria mudado.

A reforma reformada

Após o período inicial da revolução da Reforma Protestante começaram a surgir algumas divergências entre seus líderes. Como não houve a cessão de nenhum dos lados, surgiram várias ramificações de protestantes.

No cenário cristão inglês o Rei Henrique VIII, por conta de seus desejos amorosos, rompe com a Igreja de Roma, que não queria aceitar seu divórcio com Catarina de Aragão e seu matrimônio com Ana Bolena. Desta divergência surge a Igreja Anglicana, que, na prática, não se diferenciava muito da Igreja de Roma.

Por volta de 1560, um grupo não satisfeito com a reforma promovida pela igreja anglicana, por considerar que muitos dos “trapos do papado” permaneciam na igreja, recebeu a alcunha de “puritanos”

Os puritanos estavam divididos entre si: uma parte era favorável à forma presbiteriana, e outra, mais radical, queria a separação e autonomia do grupo; eram chamados de separatistas. No princípio os presbiterianos tinham a primazia, e, por ordem do Parlamento, de maioria presbiteriana, um grupo de ministros, reunidos em Westminster em 1643 elaborou a confissão de fé, que ficou conhecida como Confissão de fé de Westminster. Mais tarde, sob o governo de Oliver Cromwell (1653-1658) o presbiterianismo foi vencido e passou-se a adotar o sistema separatista, ou congregacional. A partir de 1660, os anglicanos mais uma vez assumiram o poder, e os puritanos foram perseguidos. Esta perseguição geraria a colonização dos Estados Unidos da América.

De 1618 a 1648 acontece na Europa a guerra que ficou conhecida como Guerra dos trinta anos. Esta guerra aconteceu entre católicos e protestantes, e foi uma tentativa da Igreja Católica retomar seu poder perdido na Alemanha protestante. Esta guerra abateu o ânimo socio-religioso do europeu, e além disso a fé cristã se tornara apenas uma questão intelectual.

Em 1659 Phillip Jakob Spener (1635-1705), entrou em contato com a reforma protestante na Suíça e decidiu voltar aos alicerces apostólicos dando grande ênfase na pregação do evangelho acompanhado do testemunho cristão compatível com a fé professada.

A experiência cristã foi uma marca muito importante do movimento que ficou conhecido como pietismo, além do destaque para a leitura sistemática da Bíblia e foco no perfeccionismo, ou seja, o desenvolvimento social e espiritual do cristão. O pietismo foi o responsável pelo reavivamento espiritual na Alemanha, mas passaria a ser a origem dos usos e costumes, alguns em vigor até os dias de hoje, além de formar a base do pentecostalismo e metodismo. Com o passar do tempo, a fé, dentro movimento pietista, passou a ficar amparada na experiência religiosa, e não mais na Bíblia.

Nas primeira décadas do século XVIII, na Inglaterra, tanto a igreja oficial quanto a dissidente começaram a entrar em declínio, e os cultos ficaram muito formais, sem mudança moral significativa do povo, e com uma fé intelectualizada.

John Wesley, junto com seu irmão Charles e seu amigo George Whitefield,  influenciados pelo pietismo, desenvolveram algumas regras devocionais para a renovação da espiritualidade.

Em 1739, John Wesley começou a pregar que a vida cristã depende do testemunho do Espírito; uma experiência religiosa íntima e pessoal. Fundou uma sociedade daqueles que aceitavam seus ensinamentos, e ficaram conhecidos mais tarde como metodistas.

O movimento metodista, por muitos anos, não foi organizado como uma entidade eclesiástica seperada, mas Wesley sempre se considerou membro da Igreja da Inglaterra. Mas, em 1784, após a independência americana da Inglaterra, os metodistas se organizaram como uma igreja distinta.

Um dos grandes resultados deste processo de avivamento na Inglaterra foi a mudança moral e espiritual da sociedade. Houve o desenvolvimento de muitas obras sociais de caráter cristão, além do despertamento para o movimento missionário moderno. O reavivamento do movimento missionário correu pelo século XIX e começo do século XX, sendo interrompido pela Primeira Guerra Mundial.